sábado, 10 de dezembro de 2011
COMO ELIAS
Mt 17,10-13
O povo judeu acreditava na volta de Elias para preparar a vinda do Messias. As circunstâncias de sua morte deram motivo a esta suposição. De fato, Elias precedeu a Jesus na pessoa de João Batista. Mas nenhum profeta tem vida sossegada; nem João Batista teve sorte diferente, e Jesua andou pelo mesmo caminho.
Seguir as pegadas de Cristo é trilhar o caminho do sofrimento. Lição dura e, mesmo quando teoricamente entendida, muito mais difícil é a realidade. O mundo não se constrói cpm ódios, lutas, reivindicações violentas. O mundo se constrói pelo amor recíproco. Teologia da libertação só é realmente libertadora quando baseada na fraternidade. Todas as leiias sociais pouco resultado têm sem uma alteração da mentalidade do homem. Justiça social quan não tem por base o Evangelho é lei de antagonismos, de um contra o outro. A preparação do Natal, isto é, a expectativa da vinda de Cristo, somente é possível quando nós vivemos na unidade. Receber concretamente Jesus entre nós, é acolher o pobre, o necessitado. Jesus não apareceu entre nóscomo adulto, mas como criança, para poder necessitar de nós. Os doentes, os marginalizados, são o Jesus necessitando de amor e carinho.
Várias são as formas de se celebrar o Natal. Porém, se o nosso Natal não passar de um Natal histórico, de um Jesus em Belém que não chega a ser um Jesus da casa do vizinho, um Jesus ue nascido na favela e bairros, o Natal permanece fantasia...
Os pastores se ajoelharam, os magos se ajoelharam no chão, na poeira, não no salão de baile. Mas nós não uvimos João Batista nem Elias... Nosso Natal é tempo de concorrência, de cifrão e - impossível de se acreditar - de ausência de Jesus!
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
NÃO OUVEM NEM A JOÃO NEM AO FILHO DO HOMEM.
Mt 11,16-19
Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola das crianças brincando na praça. Existe no meio delas um grupinho de crianças amuadas, que não colaboram com seus colegas nos brinquedos, sejam estes de alegria ou de tristeza.
As crianças costumam, em seus brinquedos, imitar os adultos. E o que as crianças viam quase todos os dias eram as festas de casamento e os velórios. Nas festas, uns tocavam flauta e todos dançavam. Nos velórios, havia as “carpideiras”, mulheres especializadas em entoar lamentações tão tristes que faziam todo mundo chorar. Mas aquelas crianças amuadas da praça não participavam que as outras propunham.
João Batista era um asceta rígido, que praticava austeros jejuns. Não fizeram caso dele, com o pretexto de que era um fanático. Chega Jesus anunciando a Boa Nova e a alegria messiânica do Reino de Deus, e levando uma vida normal, comendo e bebendo como qualquer pessoa, pronto: culparam-no de glutão, beberrão e que anda em más companhias.
Deus planejou tudo direitinho: mandou João para despertar o arrependimento dos pecados, e depois o seu Filho para realizar a sua reconciliação com o povo, iniciando o Reino de Deus. Mas quando não há boa vontade, nenhum plano funciona, por melhor que seja.
Entretanto, apesar do não acolhimento, a sabedoria de Deus triunfa. Tanto João como Jesus, se não são reconhecidos agora, sê-lo-ão mais tarde, pois as suas obras dão testemunho a favor deles, e a sabedoria da verdade, mais cedo ou mais tarde prevalece. A própria riqueza das pregações dos dois, e os seus milagres, dão testemunho em favor deles.
Nós não queremos ser como crianças amuadas; queremos participar de tudo o que Deus nos mandou e que Jesus nos deixou para o nosso bem.
Quando não queremos aceitar a verdade anunciada por alguém, procuramos diminuir a autoridade ou a competência ou a moral da pessoa que a fala, a fim de ter um pretexto para a recusa. Quantas vezes os líderes cristãos são criticados unicamente por isso: tocam na ferida, pisam no calo de quem não quer sair do pecado. Toda discussão sobre “padres progressistas” e “padres conservadores” parte daí. É mais fácil destruir o mensageiro do que acolher a mensagem. Por exemplo, quem serve a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo, critica cada vez que um líder de Comunidade toca nesse assunto.
“Eu não vou à Missa porque não gosto do padre”, dizem alguns. Por que não lêem o folheto da Missa e refletem sobre ele? É uma hora só! Hoje há livrinhos com as leituras das Missas, inclusive da semana. Isso prova que a raiz do problema não está no padre, mas na pessoa, que quer continuar andando com os pés em duas canoas.
Advento é tempo de limpar a casa para receber a visita de Jesus no Natal. É tempo de retirar as sujeiras dos defeitos e enfeitar a casa com as flores das virtudes.
Certa vez, em um domingo do advento, uma Comunidade rural estava celebrando o culto dominical, na sua capela. Estava presente um senhor da cidade, que veio passar o fim de semana na casa de um amigo.
Na gora da partilha da palavra, ele contou que lá na Comunidade urbana estavam preparando certas básicas, para dar às famílias carentes, antes do Natal. E sugeriu que esta Comunidade também fizesse isso.
Um dos membros da Comunidade disse a ele: “Desculpe, senhor fulano, mas para nós aqui Natal é o ano inteiro. Nós assumimos o compromisso de não deixar ninguém passar fome aqui no nosso bairro”. O visitante ficou com a cara no chão.
De fato, o certo é isso mesmo. Quando promovemos campanhas de Natal é mais para despertar nas pessoas a solidariedade, que deve haver o ano todo; e não era este o caso daquela Comunidade rural.
Maria Santíssima dançou quando Deus tocou flauta, e bateu no peito quando Deus entoou lamentações. Foi a discípula do Senhor, fiel a ele sempre e em tudo.
Ó Mãe do Redentor, do céu ó porta, ao povo que caiu, socorre e exorta, pois busca levantar-se, Virgem pura, nascendo o Criador da criatura. Tem piedade de nós e ouve, suave, o anjo te saudando com seu Ave!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR ESTÁ CONTIGO!
Lc 1,26-38
Hoje é com muita alegria que nós celebramos a solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhor. O Evangelho narra a cena da anunciação, em que o anjo Gabriel lhe fala: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”
Deus quis que uma mulher contribuísse bem de perto na redenção da humanidade, já que uma mulher, Eva, havia colaborado no pecado. E a mulher que Deus escolheu não podia ser vítima de pecado, pois seria um sinal de fraqueza de Deus, diante das forças do mal. Como Davi venceu o gigante Golias (1Sm 17,49), Jesus derrotou o tentador. Não só derrotou, mas arrasou com ele completamente. Nem junto à sua mãe ele teve vez. Após o dilúvio, uma pomba trouxe em seu bico um raminho verde para Noé (Gn 8,11). Aquela pomba não estava suja de barro, ela n fora atingida pelo dilúvio.
Nós também somos chamados a colaborar na redenção, libertando-nos cada vez mais do tentador. Deus não gosta de gente manchada e suja. Como podemos anunciar a vitória de Cristo, se até nós, os anunciadores, somos vítima do tentador? Pecadores todos nascemos. Mas temos condições de nos purificar, usando os meios que Jesus nos deixou, entre os quais se destaca a Igreja, da qual Maria é Mãe. Assim, tirando a trave do nosso olho, temos condições de tirar o cisco que está no olho do nosso irmão. “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).
A concepção imaculada de Maria nos mostra que Deus não quer conviver com pecado. Ele quer o pecado longe dele. Ele nos suporta, quando pecamos, mas não queria isso, como qualquer pai que não quer ver o filho ou filha no caminho errado. Como podemos dizer a Deus: “Senhor, eu vos amo sobre todas as coisas”, e depois viramos as costas e já começamos a colocar outras coisas acima dele? Por isso que Deus fala na Bíblia: “Estou para vomitar-te da minha boca” (Ap 3,16).
A Imaculada Conceição foi um fruto antecipado da redenção realizada por Jesus, o seu Filho. E o fato de ela ter sido isenta do pecado, já na sua concepção, mostra que a força da graça redentora supera infinitamente a força do pecado. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20).
“Quando éreis escravos do pecado, praticáveis ações das quais hoje vos envergonhais. Agora, porém, libertados do pecado e como servos de Deus, produzis frutos para a vossa santificação, tendo como meta a vida eterna. Com efeito, a paga do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna no Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,20-23). Antes, quando reinava o pecado, o carro estava na frente dos bois, e dava tudo errado. Cristo veio, colocou os bois na frente do carro, e na direção certo, que é a nossa felicidade.
Deus realizou plenamente a redenção na Mãe do seu Filho, para nos mostrar o que ele quer de todos nós. Ela se tornou assim para nós uma seta indicando-nos o caminho. Ela é a estrela da esperança, que nos anima a sempre nos levantar a caminhar.
Santo Agostinho, quando estava mergulhado no pecado, leu, por sugestão de sua mãe, muitas biografias de santos. Um dia ele disse para si mesmo, em latim, que era a sua língua: “Potuerunt ii, potuerunt ee; cur non tu, Agostiné?” Em português: “Puderam estes, puderam aquelas, por que não tu, Agostinho?” Impulsionado por este lema, venceu.
Daqui a exatamente nove meses, celebraremos o nascimento de Maria. Rezemos, neste tempo, pelos nascituros, a fim de que sejam protegidos por suas mães. Este é também um bom modo de nos prepararmos para o Natal.
Certa vez, um pai deu para a sua filha, como presente pelo aniversário de quinze anos, um colar de diamantes, de alto preço. A mocinha ficou muito feliz. Mas, alguns dias depois, o colar desapareceu. Por mais que a família o procurasse não encontrou. O pai, então, ofereceu uma grande recompensa a quem o encontrasse, ou devolvesse. A notícia se espalhou e muitas pessoas começaram a procurar o colar.
Um dia, um rapaz passava na beira de um lago e viu lá no fundo o colar. Apesar de a água ser suja, poluída e estar cheirando muito mal, ele, pensando na recompensa, venceu o nojo e introduziu a mão na água para pegar o colar. Mas não conseguiu pegá-lo, parece que fugia de sua mão. Entrou dentro do lago, sujando-se todo, mas também sem sucesso. Por fim, ele mergulhou no lago para olhar bem no fundo. Entretanto, mesmo assim o colar sempre escapava.
Todo enlameado, desistiu de procurar e decidiu voltar para casa, a fim de tomar um banho e trocar de roupa. Nesse momento, apareceu um velhinho, o qual perguntou ao moço por que estava tão sujo. O rapaz explicou. O velho apontou para cima e mostrou-lhe o colar pendurado no galho de uma árvore. O que ele via no lago era apenas o reflexo. Certamente algum pássaro grande, atraído pelo seu brilho, o levou para lá. Foi só subir na árvore, pronto, o jovem pegou o colar e ganhou o prêmio.
O reflexo do colar na água suja representa as nossas buscas ilusórias do tesouro da felicidade. Para encontrar a felicidade verdadeira, precisamos olhar para o alto, para cima, para os valores do céu, como Maria Santíssima fez, evitando todo pecado e tornando-se imaculada.
Peçamos a Nossa Senhora da Conceição que interceda por nós, a fim de que sejamos cada vez mais parecidos com ela, imaculados.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
VINDE A MIM TODOS VÓS QUE ESTAIS CANSADOS.
Mt 11,28-30
No Evangelho de hoje, Jesus nos convida a nos aproximarmos dele. Se aceitarmos o convite, nós que andamos “cansados e fatigados sob o peso dos nossos fardos”, encontraremos descanso. Portanto, não existe convite melhor.
“O meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” O fardo de Jesus á a obediência aos mandamentos. É um jugo suave, porque Deus nos ajuda com a sua graça.
“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.” Como que é uma pessoa mansa e humilde? É pacífica, acolhedora, paciente, compreensiva, alegre, serviçal e amiga. As pessoas não precisam se preparar para se aproximar delas, porque sabem que sempre serão bem acolhidas e compreendidas. As crianças são as primeiras a conhecerem essas pessoas e logo as procuram. Por outro lado, há pessoas que são de difícil relacionamento. Você ensaia, ensaia, para falar algo com elas, e mesmo assim se dá mal às vezes.
Jesus sempre se mostrou uma pessoa boa, acolhedora, compreensiva, humilde aberta. E nos convida a vivermos ao seu lado. Que bom!
“O Senhor corrige a quem ama e castiga a quem aceita como filho” (Hb 12,4). “Eu repreendo e educo aos que amo” (Ap 3,10). É justamente o amor que Deus tem por nós que o leva a nos impor o seu suave jugo.
E Jesus não mudou este seu comportamento, mesmo nas suas horas mais difíceis, que foram a condenação e a morte. “Jesus, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
“Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e assumiu os nossos sofrimentos. Foi castigado por nossos crimes. Nós fomos curados, graças aos seus padecimentos. O justo justificou a muitos” (Is 53,4). A nossa salvação foi o principal gesto de amor de Jesus.
“Cristo morreu pelos pecadores, o justo pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus” (1Pd 3,18). Amar quem é bom, até que não é difícil. Mas amar a uma pessoa ruim, ou a um inimigo, é difícil. Jesus nos amou quando éramos ruins e este seu amor nos tornou bons.
E ele nos pede para imitá-lo: “Irmãos, tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus que, sendo rico se fez pobre por amor de vós!” (Fl 2,5). “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.” Queremos imitar o Senhor, tendo a virtude da benignidade, que é o amor às pessoas fracas, que cometem erros ou que nos ofendem.
Ninguém é totalmente ruim, nem totalmente bom. Só o demônio é totalmente ruim, e só Deus é totalmente bom. Todos nós temos um pouco de bondade e um pouco de maldade. Mas a virtude da benignidade nos leva a ver o lado bom das pessoas. Esse é o melhor incentivo para que as pessoas más se tornem boas.
O Natal é uma festa cercada de paz, porque nela celebramos o nascimento de Jesus, a própria paz encarnada. Que agora, no advento, nos preparemos para celebrar o Natal com um coração cheio de paz.
Certa vez, dois amigos estavam conversando, mas entre eles havia uma parede. A certo momento, um deles comentou que a parede era azul. O outro discordou: “Azul coisa nenhuma! Você não deve estar enxergando bem. Não está vendo que a cor desta parede é amarela?”
“Como amarela?! – disse o outro – você é que precisa trocar os óculos. Está na cara que esta parede é azul”. “Mas como pode? – retrucou o outro – como você teima em dizer que é azul?!”
E a discussão continuou rolando, no meio já de algum insulto. Até que um deles resolveu dar a volta e ver a parede do lado do outro. Realmente ela era azul. Azul de um lado e amarela do outro.
A pessoa mansa e humilde coração vê as realidades do lado do seu irmão ou irmã. Por isso está sempre em paz.
No Evangelho de hoje, Jesus nos convida a nos aproximarmos dele. Se aceitarmos o convite, nós que andamos “cansados e fatigados sob o peso dos nossos fardos”, encontraremos descanso. Portanto, não existe convite melhor.
“O meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” O fardo de Jesus á a obediência aos mandamentos. É um jugo suave, porque Deus nos ajuda com a sua graça.
“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.” Como que é uma pessoa mansa e humilde? É pacífica, acolhedora, paciente, compreensiva, alegre, serviçal e amiga. As pessoas não precisam se preparar para se aproximar delas, porque sabem que sempre serão bem acolhidas e compreendidas. As crianças são as primeiras a conhecerem essas pessoas e logo as procuram. Por outro lado, há pessoas que são de difícil relacionamento. Você ensaia, ensaia, para falar algo com elas, e mesmo assim se dá mal às vezes.
Jesus sempre se mostrou uma pessoa boa, acolhedora, compreensiva, humilde aberta. E nos convida a vivermos ao seu lado. Que bom!
“O Senhor corrige a quem ama e castiga a quem aceita como filho” (Hb 12,4). “Eu repreendo e educo aos que amo” (Ap 3,10). É justamente o amor que Deus tem por nós que o leva a nos impor o seu suave jugo.
E Jesus não mudou este seu comportamento, mesmo nas suas horas mais difíceis, que foram a condenação e a morte. “Jesus, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
“Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e assumiu os nossos sofrimentos. Foi castigado por nossos crimes. Nós fomos curados, graças aos seus padecimentos. O justo justificou a muitos” (Is 53,4). A nossa salvação foi o principal gesto de amor de Jesus.
“Cristo morreu pelos pecadores, o justo pelos injustos, a fim de os conduzir a Deus” (1Pd 3,18). Amar quem é bom, até que não é difícil. Mas amar a uma pessoa ruim, ou a um inimigo, é difícil. Jesus nos amou quando éramos ruins e este seu amor nos tornou bons.
E ele nos pede para imitá-lo: “Irmãos, tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus que, sendo rico se fez pobre por amor de vós!” (Fl 2,5). “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.” Queremos imitar o Senhor, tendo a virtude da benignidade, que é o amor às pessoas fracas, que cometem erros ou que nos ofendem.
Ninguém é totalmente ruim, nem totalmente bom. Só o demônio é totalmente ruim, e só Deus é totalmente bom. Todos nós temos um pouco de bondade e um pouco de maldade. Mas a virtude da benignidade nos leva a ver o lado bom das pessoas. Esse é o melhor incentivo para que as pessoas más se tornem boas.
O Natal é uma festa cercada de paz, porque nela celebramos o nascimento de Jesus, a própria paz encarnada. Que agora, no advento, nos preparemos para celebrar o Natal com um coração cheio de paz.
Certa vez, dois amigos estavam conversando, mas entre eles havia uma parede. A certo momento, um deles comentou que a parede era azul. O outro discordou: “Azul coisa nenhuma! Você não deve estar enxergando bem. Não está vendo que a cor desta parede é amarela?”
“Como amarela?! – disse o outro – você é que precisa trocar os óculos. Está na cara que esta parede é azul”. “Mas como pode? – retrucou o outro – como você teima em dizer que é azul?!”
E a discussão continuou rolando, no meio já de algum insulto. Até que um deles resolveu dar a volta e ver a parede do lado do outro. Realmente ela era azul. Azul de um lado e amarela do outro.
A pessoa mansa e humilde coração vê as realidades do lado do seu irmão ou irmã. Por isso está sempre em paz.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Somos as ovelhas amadas e procuradas pelo Bom Pastor
Mt. 18: 12-14
O fato de encontrarmos um objeto que tínhamos perdido enche-nos de grande alegria a cada vez que isso ocorre. E essa alegria é maior do que a que experimentávamos antes de o perder, quando aquele objeto estava bem guardado. Mas a parábola da ovelha perdida fala mais da ternura de Deus do que da maneira como os homens habitualmente se comportam. Ela exprime uma verdade profunda: abandonar o que tem importância por amor do que há de mais humilde é próprio do poder divino, não da cobiça humana, porque Deus faz mesmo existir o que não é. Ele parte à procura do que está perdido, guardando o que deixou ficar para trás, e encontra o que se tinha transviado sem perder o que está à Sua guarda.
É por isso que este Pastor não é da terra, mas do céu. A parábola não é de forma alguma a representação de obras humanas, mas esconde mistérios divinos, como é demonstrado.
Cabalmente pelos números que menciona: “Se um de vós, diz o Senhor, tiver cem ovelhas e perder uma”. Como vê, a perda de uma só ovelha magoou o pastor, tanto como se o rebanho inteiro, privado da sua proteção, se tivesse metido por um caminho errado. É por isso que, deixando as outras noventa e nove, ele parte à procura de uma só – não se ocupa senão de uma só – a fim de encontrá-la e, nela, salvar a todas.
“Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que estava perdida”. Quando chegou o tempo da misericórdia (cf. Sl 101,15), o Bom Pastor desceu de junto do Pai, tal como tinha sido prometido desde toda a eternidade. Veio procurar a única ovelha que se tinha perdido. Prometido a ela [ovelha] desde sempre, por causa dela foi enviado no tempo. Por ela nasceu e se entregou eternamente predestinado a ela. Ela é única, separada dos judeus e dos gentios, presente em todos os povos. É única no seu mistério, múltipla nas pessoas, múltipla pela carne segundo a natureza, única pelo espírito segundo a graça – numa palavra, uma única ovelha e uma multidão incontável. Portanto, poderíamos assim dizer que, no homem, Deus salva toda a criação.
Ora, aqueles que o Pastor reconhece como seus, “ninguém pode arrancá-los das suas mãos” (cf. Jo 10,28). Porque não se pode forçar a verdadeira potência, enganar a sabedoria, destruir a caridade. Por isso, Ele fala com segurança ao dizer: “Dos que me deste, Pai, não perdi um único” (Jo 18,9).
Ele foi enviado como verdade aos violentados, como estrada aos perdidos, como vida para os que estavam mortos, como sabedoria para os insensatos, como remédio aos doentes, como resgate para os cativos, como alimento aos que morriam de fome. Para todos esses, pode-se dizer que Ele foi enviado “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (cf. Mt 15,24), para que elas não se percam para sempre. Foi enviado como alma para um corpo inerte, para que à Sua vinda os membros se reanimassem e revivessem com uma vida nova, sobrenatural e divina: é a primeira ressurreição (cf. Ap 20,5). Por isso, pode Ele mesmo declarar: “Vai chegar a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a tiverem ouvido viverão” (Jo 5,25). E pode, portanto, dizer das Suas ovelhas: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (cf Jo 10,27).
Como aquela ovelha, ergamos, pois as nossas mãos e deixemo-nos levantar, abraçar e colocar nos ombros do Bom Pastor para sermos salvos.
O fato de encontrarmos um objeto que tínhamos perdido enche-nos de grande alegria a cada vez que isso ocorre. E essa alegria é maior do que a que experimentávamos antes de o perder, quando aquele objeto estava bem guardado. Mas a parábola da ovelha perdida fala mais da ternura de Deus do que da maneira como os homens habitualmente se comportam. Ela exprime uma verdade profunda: abandonar o que tem importância por amor do que há de mais humilde é próprio do poder divino, não da cobiça humana, porque Deus faz mesmo existir o que não é. Ele parte à procura do que está perdido, guardando o que deixou ficar para trás, e encontra o que se tinha transviado sem perder o que está à Sua guarda.
É por isso que este Pastor não é da terra, mas do céu. A parábola não é de forma alguma a representação de obras humanas, mas esconde mistérios divinos, como é demonstrado.
Cabalmente pelos números que menciona: “Se um de vós, diz o Senhor, tiver cem ovelhas e perder uma”. Como vê, a perda de uma só ovelha magoou o pastor, tanto como se o rebanho inteiro, privado da sua proteção, se tivesse metido por um caminho errado. É por isso que, deixando as outras noventa e nove, ele parte à procura de uma só – não se ocupa senão de uma só – a fim de encontrá-la e, nela, salvar a todas.
“Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que estava perdida”. Quando chegou o tempo da misericórdia (cf. Sl 101,15), o Bom Pastor desceu de junto do Pai, tal como tinha sido prometido desde toda a eternidade. Veio procurar a única ovelha que se tinha perdido. Prometido a ela [ovelha] desde sempre, por causa dela foi enviado no tempo. Por ela nasceu e se entregou eternamente predestinado a ela. Ela é única, separada dos judeus e dos gentios, presente em todos os povos. É única no seu mistério, múltipla nas pessoas, múltipla pela carne segundo a natureza, única pelo espírito segundo a graça – numa palavra, uma única ovelha e uma multidão incontável. Portanto, poderíamos assim dizer que, no homem, Deus salva toda a criação.
Ora, aqueles que o Pastor reconhece como seus, “ninguém pode arrancá-los das suas mãos” (cf. Jo 10,28). Porque não se pode forçar a verdadeira potência, enganar a sabedoria, destruir a caridade. Por isso, Ele fala com segurança ao dizer: “Dos que me deste, Pai, não perdi um único” (Jo 18,9).
Ele foi enviado como verdade aos violentados, como estrada aos perdidos, como vida para os que estavam mortos, como sabedoria para os insensatos, como remédio aos doentes, como resgate para os cativos, como alimento aos que morriam de fome. Para todos esses, pode-se dizer que Ele foi enviado “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (cf. Mt 15,24), para que elas não se percam para sempre. Foi enviado como alma para um corpo inerte, para que à Sua vinda os membros se reanimassem e revivessem com uma vida nova, sobrenatural e divina: é a primeira ressurreição (cf. Ap 20,5). Por isso, pode Ele mesmo declarar: “Vai chegar a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a tiverem ouvido viverão” (Jo 5,25). E pode, portanto, dizer das Suas ovelhas: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (cf Jo 10,27).
Como aquela ovelha, ergamos, pois as nossas mãos e deixemo-nos levantar, abraçar e colocar nos ombros do Bom Pastor para sermos salvos.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
DOIS CEGOS, CRENDO EM JESUS, SÃO CURADOS.
Mt 9,27-31
Neste Evangelho, Jesus testa a fé de dois cegos, e eles passam de cheio no teste.
Enquanto Jesus caminhava, eles foram atrás pedindo a cura. Jesus não os atendeu, mas continuaram pedindo. Jesus entrou em casa, eles foram atrás e entraram na sua casa. Jesus lhes pergunta: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” Eles: “Sim, Senhor”. Na verdade, a própria insistência deles já mostrava a sua fé. “Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: Faça-se conforme a vossa fé. E os olhos deles se abriram”.
A pergunta de Jesus é feita a nós também: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” A nossa fé é condição para recebermos as graças de Deus.
A fé é um dom de Deus aos que lhe obedecem. Quem tem esse dom é capaz de transportar montanhas. É sempre feliz e tem o amparo de Deus em tudo o que pede. “Ter fé é um modo de já possuir aquilo que se espera. É um meio de conhecer realidades que não se vêem... Ter fé é caminhar como se visse o invisível” (Hb 11,1.27).
Mas só ganha o dom da fé quem obedece a Deus: “Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Deus se manifesta, abrindo os nossos olhos para a fé. Quando Jesus visitou a sua cidade natal, “não conseguiu fazer ali nenhum milagre. Ele se admirou da incredulidade deles”. Veja como a fé é importante para recebermos milagres!
Para ter fé é importante viver no amor verdadeiro: “Aquele que ama conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,7).
É importante lembrar também que ter fé não é acreditar em um Evangelho modificado conforme a nossa cabeça e os nossos interesses, mas é curvar-se diante do Evangelho legítimo deixado por Jesus e transmitido pela Igreja, que ele fundou, que tem Pedro e seus sucessores como chefes.
Advento é tempo de fé e de transformação, varrendo a nossa casa para Jesus entrar.
Certa vez, um homem quis zombar do seu vizinho que fazia aniversário. Pegou uma bandeja, encheu-a de lixo e porcarias, enfeitou-a bem e pediu que uma pessoa levasse para ele.
O aniversariante abriu o presente. Vendo o que era, pediu que o emissário esperasse um pouquinho. Foi lá dentro, jogou fora aquela sujeira, lavou bem a bandeja e a perfumou. Depois encheu-a de flores e mandou de volta para o vizinho, com um cartão dizendo assim: “A gente dá o que tem de melhor”.
A fé é um tesouro que carregamos dentro de nós, melhor até que flores. E o mundo está precisando com urgência desse presente.
Neste Evangelho, Jesus testa a fé de dois cegos, e eles passam de cheio no teste.
Enquanto Jesus caminhava, eles foram atrás pedindo a cura. Jesus não os atendeu, mas continuaram pedindo. Jesus entrou em casa, eles foram atrás e entraram na sua casa. Jesus lhes pergunta: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” Eles: “Sim, Senhor”. Na verdade, a própria insistência deles já mostrava a sua fé. “Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: Faça-se conforme a vossa fé. E os olhos deles se abriram”.
A pergunta de Jesus é feita a nós também: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” A nossa fé é condição para recebermos as graças de Deus.
A fé é um dom de Deus aos que lhe obedecem. Quem tem esse dom é capaz de transportar montanhas. É sempre feliz e tem o amparo de Deus em tudo o que pede. “Ter fé é um modo de já possuir aquilo que se espera. É um meio de conhecer realidades que não se vêem... Ter fé é caminhar como se visse o invisível” (Hb 11,1.27).
Mas só ganha o dom da fé quem obedece a Deus: “Quem acolhe e observa os meus mandamentos, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,21). Deus se manifesta, abrindo os nossos olhos para a fé. Quando Jesus visitou a sua cidade natal, “não conseguiu fazer ali nenhum milagre. Ele se admirou da incredulidade deles”. Veja como a fé é importante para recebermos milagres!
Para ter fé é importante viver no amor verdadeiro: “Aquele que ama conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4,7).
É importante lembrar também que ter fé não é acreditar em um Evangelho modificado conforme a nossa cabeça e os nossos interesses, mas é curvar-se diante do Evangelho legítimo deixado por Jesus e transmitido pela Igreja, que ele fundou, que tem Pedro e seus sucessores como chefes.
Advento é tempo de fé e de transformação, varrendo a nossa casa para Jesus entrar.
Certa vez, um homem quis zombar do seu vizinho que fazia aniversário. Pegou uma bandeja, encheu-a de lixo e porcarias, enfeitou-a bem e pediu que uma pessoa levasse para ele.
O aniversariante abriu o presente. Vendo o que era, pediu que o emissário esperasse um pouquinho. Foi lá dentro, jogou fora aquela sujeira, lavou bem a bandeja e a perfumou. Depois encheu-a de flores e mandou de volta para o vizinho, com um cartão dizendo assim: “A gente dá o que tem de melhor”.
A fé é um tesouro que carregamos dentro de nós, melhor até que flores. E o mundo está precisando com urgência desse presente.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE MEU PAI ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS.
Este Evangelho narra a belíssima parábola da casa construída sobre a rocha. Jesus identifica por em prática a sua palavra com por em prática a vontade de Deus Pai. Identifica também construir sobre a rocha com entrar no Reino dos Céus. Fica clara a importância de praticarmos as palavras de Jesus para podermos receber a salvação eterna. Em vez de fazer, Jesus usa a expressão por em prática a vontade de Deus. Isso para deixar bem claro que não basta também conhecermos ou até divulgarmos os mandamentos de Deus.
“Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus.” A nossa salvação não depende da nossa oração. Ela é meio. A nossa salvação depende mesmo é de por em prática as palavras de Jesus.
Também a nossa salvação não depende de ouvirmos as palavras de Jesus, e sim, de a colocarmos em prática. Os dois que constroem suas casas – um sobre a rocha e o outro sobre a areia – ouvem a Palavra de Deus. De fato, hoje é muito fácil ouvir as palavras de Jesus, e também de lê-las. Por isso, freqüentemente percebemos certa distância entre a Palavra de Deus que ouvimos e a vida que levamos. Mas não nos importamos muito com isso. Aí que mora o perigo.
Com esta parábola, Jesus derruba todas as nossas desculpas e subterfúgios, e centraliza a nossa salvação no por em prática as suas palavras.
No fundo, a parábola nos pega de cheio e nos chama a todos de imprudentes, porque gostamos muito mais de ouvir a Palavra de Deus do que de praticá-la. Ouvir é até gostoso, se for bem apresentada. Em outras palavras, o que gostamos mesmo é de construir sobre a areia.
Quantas pessoas conseguem enganar os outros, fazendo falcatruas em segredo. Mas cuidado: “Não há nada de oculto que um dia não seja revelado”.
Olhando-nos com sinceridade, temos de reconhecer que existe certa distância entre os ensinamentos de Jesus e a vida que levamos. Apesar disso, continuamos ouvindo, ouvindo, ouvindo... e pouco nos preocupando com a conversão de vida. Em outras palavras, continuamos construindo sobre a areia. Portanto, se, após a nossa morte, nos sairmos bem no Juízo, será por pura misericórdia de Deus.
Quem constrói uma casa sem alicerce é sem juízo; além de jogar dinheiro fora, ainda arrisca a própria vida e da família. O mesmo acontece com quem quer levar uma vida dupla, com dois comportamentos diferentes: na sociedade e na igreja.
“Quem avisa amigo é.” Ao nos contar esta parábola, Jesus mostrou que é nosso amigo, a fim de não termos surpresas desagradáveis depois.
Que as pessoas, quando se referirem a nós, não tenham de dizer como Jesus falava a respeito dos fariseus: “Sigam o que ele ou ela fala, mas não imitem suas ações”.
Se a nossa casa tiver alguma rachadura, que a reforcemos neste tempo do advento para que, quando Jesus chegar, ele não nos chame de sem juízo.
Certa vez, um homem disse ao seu amigo: “Eu tenho ido à igreja por trinta anos, ouvi uns três mil sermões, e não consigo me lembrar de nem um. Estou preocupado com isso”.
O amigo respondeu: “Eu estou casado há trinta anos. Durante este tempo, minha esposa deve ter cozinhado umas trinta e duas mil refeições para mim. Mas eu não consigo me lembrar do cardápio de nem uma. Mas de uma coisa eu sei: todas elas me nutriram e me deram a força necessária para eu fazer o meu trabalho. Se minha esposa não me tivesse dado essas refeições, eu já teria morrido há muito tempo. Da mesma maneira, se você não tivesse ouvido esses tantos sermões, hoje você seria um marginal”.
A Palavra de Deus é como a semente que, quando semeada, cresce por si mesma. Basta não colocarmos obstáculos, que a Palavra de Deus cresce e produz fruto em nós por si mesma, sem que percebamos. O problema é que o maligno também semeia em nós a sua cizânia, e esta, devido ao pecado que existe dentro de nós e no mundo, cresce mais rápido e tende a abafar a Palavra de Deus.
“Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus.” A nossa salvação não depende da nossa oração. Ela é meio. A nossa salvação depende mesmo é de por em prática as palavras de Jesus.
Também a nossa salvação não depende de ouvirmos as palavras de Jesus, e sim, de a colocarmos em prática. Os dois que constroem suas casas – um sobre a rocha e o outro sobre a areia – ouvem a Palavra de Deus. De fato, hoje é muito fácil ouvir as palavras de Jesus, e também de lê-las. Por isso, freqüentemente percebemos certa distância entre a Palavra de Deus que ouvimos e a vida que levamos. Mas não nos importamos muito com isso. Aí que mora o perigo.
Com esta parábola, Jesus derruba todas as nossas desculpas e subterfúgios, e centraliza a nossa salvação no por em prática as suas palavras.
No fundo, a parábola nos pega de cheio e nos chama a todos de imprudentes, porque gostamos muito mais de ouvir a Palavra de Deus do que de praticá-la. Ouvir é até gostoso, se for bem apresentada. Em outras palavras, o que gostamos mesmo é de construir sobre a areia.
Quantas pessoas conseguem enganar os outros, fazendo falcatruas em segredo. Mas cuidado: “Não há nada de oculto que um dia não seja revelado”.
Olhando-nos com sinceridade, temos de reconhecer que existe certa distância entre os ensinamentos de Jesus e a vida que levamos. Apesar disso, continuamos ouvindo, ouvindo, ouvindo... e pouco nos preocupando com a conversão de vida. Em outras palavras, continuamos construindo sobre a areia. Portanto, se, após a nossa morte, nos sairmos bem no Juízo, será por pura misericórdia de Deus.
Quem constrói uma casa sem alicerce é sem juízo; além de jogar dinheiro fora, ainda arrisca a própria vida e da família. O mesmo acontece com quem quer levar uma vida dupla, com dois comportamentos diferentes: na sociedade e na igreja.
“Quem avisa amigo é.” Ao nos contar esta parábola, Jesus mostrou que é nosso amigo, a fim de não termos surpresas desagradáveis depois.
Que as pessoas, quando se referirem a nós, não tenham de dizer como Jesus falava a respeito dos fariseus: “Sigam o que ele ou ela fala, mas não imitem suas ações”.
Se a nossa casa tiver alguma rachadura, que a reforcemos neste tempo do advento para que, quando Jesus chegar, ele não nos chame de sem juízo.
Certa vez, um homem disse ao seu amigo: “Eu tenho ido à igreja por trinta anos, ouvi uns três mil sermões, e não consigo me lembrar de nem um. Estou preocupado com isso”.
O amigo respondeu: “Eu estou casado há trinta anos. Durante este tempo, minha esposa deve ter cozinhado umas trinta e duas mil refeições para mim. Mas eu não consigo me lembrar do cardápio de nem uma. Mas de uma coisa eu sei: todas elas me nutriram e me deram a força necessária para eu fazer o meu trabalho. Se minha esposa não me tivesse dado essas refeições, eu já teria morrido há muito tempo. Da mesma maneira, se você não tivesse ouvido esses tantos sermões, hoje você seria um marginal”.
A Palavra de Deus é como a semente que, quando semeada, cresce por si mesma. Basta não colocarmos obstáculos, que a Palavra de Deus cresce e produz fruto em nós por si mesma, sem que percebamos. O problema é que o maligno também semeia em nós a sua cizânia, e esta, devido ao pecado que existe dentro de nós e no mundo, cresce mais rápido e tende a abafar a Palavra de Deus.
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