quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

É PERMITIDO NO SÁBADO FAZER O BEM OU FAZER O MAL?

Mc 3,1-6

Este Evangelho narra a cura do homem que tinha a mão seca. Jesus entrou na sinagoga e viu o doente lá no canto da sinagoga. Como era sábado, alguns observavam para ver se ele ia curar o homem no sábado, pois, segundo a tradição deles, era proibido.

Jesus falou para o homem: “Levanta-te e fica aqui no meio”. Em seguida perguntou ao povo: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” A lei do descanso sabático foi criada para beneficiar o povo. Portanto, no sábado é permitido fazer o bem e curar uma pessoa doente! Entretanto, devido a essa cura, já tramaram a morte de Jesus.

O nosso saudoso Papa João Paulo II, na preparação para o jubileu do ano 2000, apresentou esta frase de Jesus: “Levanta-te e fica aqui no meio”, como a nossa missão do terceiro milênio.

Jesus chamou o homem para o espaço central da sinagoga porque ele estava na beira da parede, separado do povo, humilhado, pois sua doença era considerada castigo de Deus. Jesus fez um gesto de inclusão, o contrário do que a sociedade atual faz: exclusões de diversos tipos e pelos mais diversos motivos.

Em vários outros momentos, Jesus procurou incluir quem estava excluído: no encontro com a samaritana, com a mulher adúltera, com Zaqueu, com o cego de Jericó...

Olhando os 2009 anos de presença da Santa Igreja no mundo, e os 509 anos no Brasil, vemos que ela fez muitos gestos de inclusão. Basta olhar as Santas Casas do Brasil que foram criadas pela Igreja, o trabalho dos vicentinos, das pastorais sociais, todo o trabalho missionário e de evangelização que tira o povo da marginalização religiosa...

Mas ainda existem entre nós, infelizmente, muitas exclusões: desemprego e subemprego, prostituição, hospitais cheios de leitos vazios, esperando os ricos, enquanto o povo do bairro não tem atendimento médico...

Queremos pedir perdão a Deus, e continuar fazendo o mesmo convite de Jesus: “Levanta-te e fica aqui no meio”, mesmo que soframos ameaças como ele sofreu.

Assim nós atender ao apelo do Papa João Paulo II, já que temos a graça de viver no terceiro milênio: venha para o centro da vida, saia da margem da sociedade,vença a exclusão! Queremos fazer virar verdade as palavras do Profeta Isaías: “Não haverá mais crianças que vivam apenas alguns dias, nem velhos que morram antes dos cem anos. Construirão casas, e nelas habitarão. Plantarão vinhas, e colherão seus frutos. Ninguém vai construir para outro morar, nem plantar para outro comer. E todos serão abençoados por Deus. O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá capim junto com o boi” (Is 65,20-25). Se olharmos a História da Igreja, veremos que todos os santos e santas fizeram isso, incluíram os excluídos.

Jesus nos faz um apelo missionário. Ao chamar para o centro esse homem de mão ressequida, ele nos convida a participarmos da festa da inclusão. É sempre assim: quando alguém procura incluir uma pessoa marginalizada, esse seu gesto se torna um convite a todos os marginalizadores a se converterem, passando a incluir as pessoas na sociedade, em vez de excluí-las. O certo é colocar a pessoa em primeiro lugar, a vida acima dos bens materiais e das leis, como fez Jesus em relação à lei do sábado.

A nossa sociedade atual tem muitos valores, mas tem também malandragens terríveis. Por exemplo, o disfarce. Vale para ela o que disse o Profeta Jeremias: “Vós tratais com negligência as feridas do meu povo, e dizeis: ‘Está indo tudo bem’; quando, na verdade, está indo tudo mal” (Jr 6,14). Como é importante as nossas Comunidades serem luz no meio dessa geração!

Certa vez, Frei Galvão estava pregando numa cidade, e um homem resolveu dar de presente para ele três frangos. Pegou os frangos no seu terreiro e os levou para a casa paroquial, onde o Frei Galvão estava hospedado.

Aconteceu que, ao entregá-los ao Frei, um dos frangos escapou. O homem instintivamente deu um xingo, dizendo: “Frango do diabo!” Correu, pegou o frango na rua e o trouxe. Mas Frei Galvão falou: “Eu só aceito estes dois. Este aí não, porque você o deu para o diabo”.

Imagine a lição que o homem levou, ele que havia falado aquilo sem nem perceber! Mas é o “bendito” costume de falar palavrões. Muita gente de vez em quando se esquece de que foi batizado.

Ser profeta é um dos trabalhos mais bonitos de inclusão, porque aproxima as pessoas de Deus, o qual nos faz felizes em qualquer situação em que estivermos. Frei Galvão foi profeta não só para aquele senhor, mas para todos os que viram a sua atitude.

E quando formos convidar alguém para o centro da vida, convidemos também Maria Santíssima, porque ela é a nossa mãe, a nossa rainha, a mais bela flor que o universo produziu.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM, E NÃO O HOMEM PARA O SÁBADO.

Mc 2,23-28

Este Evangelho narra a cena dos discípulos de Jesus, em um sábado, arrancando espigas de trigo e comendo, porque estavam com fome. Diante do protesto dos fariseus, pois era proibido trabalhar no sábado, Jesus justifica a atitude, apresentando outro caso em que Davi desobedece à outra lei ainda mais rigorosa, pelo mesmo motivo: ele e seus companheiros estavam com fome. E arremata: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”.

O ensinamento de Jesus é claro: A vida humana está em primeiro lugar. O direito à vida precede quaisquer leis, mesmo as leis religiosas mais sagradas.

Segundo a Mishná, que era uma recompilação das tradições rabínicas, trabalhar na colheita era uma das trinta e nove maneiras de violar o sábado. E os fariseus elevaram esse gesto de colhes espigas para comer, como um trabalho formal de colheita! Mas a reação de Jesus foi clara e enérgica. Superando as discussões de escolas, ele partiu para a defesa da vida.

E Jesus apresentou o exemplo de Davi e seus companheiros que, para saciar a fome, desobedeceram a uma lei muito mais sagrada: comeram os pães consagrados, que só os sacerdotes podiam comer (Cf 1Sm 21).

“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”, diz Jesus. Esta foi a intenção do legislador da lei do sábado: a necessidade que o homem tem de descansar. Foi uma lei feita para celebrar a libertação da escravidão egípcia, em não havia tempo de descanso (Cr Dt 5,12; Ex 20,8). Portanto, a lei do sábado era uma lei de liberdade, não de escravidão. E, para concluir, Jesus, referindo-se a si mesmo, fala: “O Filho do Homem é senhor também do sábado”. Todo o Antigo Testamento, ao se referir ao Messias, fala que ele é “O Senhor”. Ele é o Senhor de tudo, inclusive do sábado. Portanto, pode modificar ou esclarecer a lei.

Em todo o episódio, sobressai a vida humana como valor maior a ser protegido e defendido. O homem deve obedecer à lei do sábado só e enquanto protege a vida humana. Se acontecer, como nesta cena do Evangelho, de esta lei se voltar contra o homem, desviou-se de sua finalidade e não obriga ao seu cumprimento.

É farisaísmo tentar ganhar a salvação, absolutizando ou sacralizando leis. Neste caso a lei se transforma de libertadora em escravizante. O único sagrado, depois de Deus, é o próprio homem, pelo qual Cristo morreu.

“A lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo (Jo 1,17). O cristão sabe sua única lei e o seu único Senhor é Jesus Cristo. Cristo foi o sim total a Deus, e o seu discípulo deve seguir o seu exemplo. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Certa vez, em um curso de batismo, um professor perguntou aos pais e padrinhos por que queriam batizar seu filho ou afilhado. As respostas foram as mais variadas.
Um deles disse: “É porque todo mundo batiza”. Esse vai na onda; o que os outros fazem ele faz também.

Outro respondeu: “É porque eu fui batizado”. Quer dizer que, se fizeram uma coisa errada com ele, quando criança, ele vai fazer agora com as outras crianças?
Houve outro que falou: “A gente batiza porque não presta ficar pagão”. Esta resposta é supersticiosa, porque a expressão “não presta” significa aí: “dá azar”.

Claro que houve também respostas bonitas e acertadas.

Pelo batismo nós nos tornamos continuadores de Cristo no mundo, seguindo-o como o nosso caminho, verdade e vida.

Maria Santíssima é a mãe de vida, porque nos deu Jesus que é a Vida. Que ela nos ajude a colocar a vida humana acima de tudo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Homilia do 2º Domingo Comum

Jo 1, 35-42
1 – Encontro com o Senhor
O Evangelho de João, que acabamos de ouvir, apresenta-se com uma estrutura interessante, que merece abrir a reflexão desse Domingo. Começa com o prólogo, com aquele belo poema que diz: “no princípio era a Palavra, e a Palavra estava em Deus e a Palavra era Deus”. Depois, João irá dizer que a “Palavra se encarnou”, a Palavra se fez gente e nasceu da Virgem Maria, como celebramos no Natal e, no Domingo passado, celebrávamos na Epifania. Logo em seguida, temos o texto que ouvimos hoje, narrando que Jesus passa... a Palavra de Deus passa numa outra estrada. Quem conhece a Palavra de Deus — como é o caso de Eli, na 1ª leitura, e João Batista, no Evangelho — orienta a entrar na estrada para encontrar-se com essa Palavra. O interessante é que a Palavra de Deus não é algo abstrato, mas que passa e pode ser seguida. A Palavra de Deus — como mostra o espaço simbólico de nossa celebração, e como participamos do rito de aclamação do Evangelho — é companheira de caminhada, na vida pessoal.

2 – Ouvido para ouvir e olhos para ver
Outro detalhe que temos, na Liturgia da Palavra desse Domingo, é a presença de dois sentidos. Na 1ª leitura evidencia-se o ouvido. Samuel dorme e o Senhor lhe desperta o ouvido, chamando-o pelo nome. É o que aconteceu na vida de muitos santos que se dispuseram a entrar na estrada do Evangelho depois de ouvir a Palavra de Deus. É o que aconteceu na vida de muitas pessoas que se converteram ouvindo alguma pregação, ouvindo a poesia de alguma música e se decidiram por Jesus. Como cantava o salmista, são pessoas que guardaram a Palavra de Deus em seus corações. No Evangelho, temos os olhos. João Batista vê Jesus e o apresenta para dois de seus discípulos que, olham, vêem e se colocam na mesma estrada. Ver Jesus passar, hoje em dia, é ver o Evangelho acontecendo diante de nossos olhos. Isso é bem mais difícil que ouvir a Palavra, porque nem todos fomos educados, em nossas catequeses, para ver o Evangelho passando diante de nós. Mas, ele passa. Pessoas como a Beata Dulce da Bahia, Santo Antonio Galvão (Frei Galvão), Santa Paulina... para citar somente santos e beatos brasileiros, viram Jesus passando diante de seus olhos e se colocaram na sua estrada.

3 – Chamados pelos sentidos
Faço questão de destacar os sentidos do ouvido e dos olhos para tirar de nós a idéia de que a experiência com Deus acontece em momentos extraordinários, fora do alcance de nossos sentidos. Isso aprendemos da própria Palavra de Deus, que ouvimos. O final da 1ª leitura relata que Samuel ouvia “e não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras”. Ouvir, meditar, ruminar, transformar a Palavra em atitude. O Evangelho relata a vocação dos primeiros discípulos de Jesus acolhendo o convite para passar com ele um dia em sua casa. Não relata o que ali conversaram, mas a alegria que transparece em André, ao contar a Pedro o encontro com Jesus, deixa evidente que ouviram mais que falaram. Assim nasce a vocação ao discipulado. É assim que alguém deixa sua estrada e entra na estrada de Jesus para OUVIR o que ele diz. Aqui está o caminho que nos coloca na estrada de Jesus, que abre nossos olhos para ver Jesus passando. As vezes ele passa escondido, como estava na mochila que trouxe o Evangeliário para ser proclamado, e alguém precisa tirá-lo para mostrar onde está. Mas, ele passa. Passa no meio do povo e quem conhece sua Palavra o reconhece no meio do povo.

4 – Tornar-se discípulo de Jesus
O texto evangélico que acabamos de proclamar em nossa assembléia tem uma finalidade muito clara: apresentar Jesus caminhando em nossas estradas. Como disse, ele continua andando entre nós e falando através de sua Palavra. O primeiro motivo para seguir Jesus é saber se ele é necessário para minha vida. Se ele é importante para minha existência. Não falo da necessidade de ter Jesus para fazer pedidos, mas de tê-lo como “caminho”, como voz que fala em mim, que orienta meu modo de viver. Existe uma pergunta atrevida, mas necessária e pertinente: — eu tenho necessidade de Jesus? Eu tenho necessidade que Jesus seja o Mestre de minha vida? Se você não sentir essa necessidade, muito possivelmente será um religioso que reza, que faz promessas e pedidos a Jesus, mas ainda não é aquele cristão que Jesus gostaria que fosse, porque ainda não se tornou discípulo de Jesus. Pode até viver na Igreja, mas o Evangelho não vive dentro de ti. Pensemos bastante sobre isso, durante essa semana e consideremos sinceramente se o Evangelho vive dentro de cada um de nós e se Jesus é nosso Mestre.

5 – Dia do Migrante
A Igreja estabelece para esse Domingo o Dia do Migrante e do Refugiado com o tema: “O migrante e a nova evangelização”. A mensagem do Papa para esse dia (que poderá ser lida na internet), acentua duas coisas importantes. O acolhimento do migrante como um irmão e irmã que vive ou viverá entre nós. Encontro que seja fraterno e não de discriminação. Da parte do migrante, a missão de ser evangelizador, de testemunhar o Evangelho, através da fraternidade, onde está sendo acolhido. Rezemos pelos migrantes, pelos refugiados políticos e façamos o possível para acolhe-los entre nós como um irmão e irmã, respeitando a dor que sente por deixar sua terra e precisar iniciar vida nova em ambiente desconhecido. Nosso apoio e nossa solidariedade poderá aliviar sua dor e o ajudará a sentir-se mais corajoso em vista do futuro. Amém!

EU NÃO VIM PARA CHAMAR JUSTOS, MAS SIM PECADORES.

Mc 2, 13-17
Este Evangelho narra a vocação do Apóstolo e Evangelista S. Mateus, que era chamado também de Levi. Além da generosidade e prontidão em acolher o chamado, Mateus mostrou a sua alegria, convidando Jesus e sua comitiva para uma refeição em sua casa.
E havia na comitiva de Jesus muitos cobradores de impostos, que os fariseus consideravam impuros porque tocavam em moeda estrangeira, e consideravam também traidores do povo, porque eram judeus que trabalhavam para o império romano.
Havia também muitos “pecadores”: pessoas pobres que não conseguiam comprar determinados animais e oferecê-los no Templo para a purificação de seus pecados. Esses pecados eram desobediência à Torá, o livro das prescrições religiosas judaicas. Jesus não excluía essa gente, por isso elas o seguiam com alegria.

Mas os doutores da Lei protestaram: “Por que ele come com cobradores de impostos e pecadores?” Doutores da Lei eram como os nossos atuais catequistas das Comunidades. Eles eram entendidos em coisas de religião, e admiravam a doutrina de Jesus, por isso gostavam de ouvi-lo, mas não se atreviam a considerar-se discípulos dele. Jesus explicou: “Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

Jesus várias vezes criticou essas leis que olhavam apenas o lado externo e não o coração da pessoa. E ele não as seguia, pelo contrário, dava preferência às pessoas marginalizadas pela sociedade do seu tempo. Imagine Jesus no meio dessa gente! E ainda tomando refeição, o que significa união e amizade!

Para entrar na Família de Deus, temos de empregar alguns meios, que talvez custem, mas estão facilmente ao nosso alcance. O primeiro é libertar-nos do preconceito de classe. Que deixemos de dividir o povo entre bons e maus, entre os que podemos cumprimentar e os que não podemos, entre os que devemos amar e os que não devemos. Que aprendamos que Deus não odeia nem os ricos, nem os mal educados, nem os de esquerda ou de direita, e que seu plano misericordioso contempla a salvação de todos e todas.
As nossas Comunidades são chamadas a continuar essa atitude de Jesus, de não ter preconceito de ninguém, acolher a todos e todas, especialmente os excluídos. “Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

Como é bom ser misericordioso, isto é, amar uma pessoa que vive de forma errada! Não amamos o erro, mas a pessoa.

Afinal, nós também somos pecadores. Um dia Jesus reclamou daqueles que vêem um cisco no olho do irmão, e não vêem a trave no próprio olho. Se olharmos sinceramente para nós mesmos, com certeza seremos mais misericordiosos para com os que erram.
Certa vez, um grupo de rãs estava pulando distraidamente num campo, e caíram numa cisterna velha. Pronto, não conseguiram mais sair dali. Como havia água no fundo da cisterna, ela não morreram.

Com o passar do tempo, elas se reproduziram e contaram a história para seus filhotes: “Nós estamos aqui porque caímos. Existe, lá fora, um mundo muito mais bonito. Tem sol, flores, borboletas, centopéias...”

Entretanto, quando elas morreram, e os seus filhotes foram contar para seus filhos, estes já não acreditaram muito. Pensavam que aquilo era uma invenção, uma fantasia. O mundo era mesmo redondo e escuro, exatamente como o fundo da cisterna.

E assim, com o passar das gerações, aquelas histórias viraram contos de fadas.
Muitas vezes, acontece algo semelhante em relação à Redenção. As pessoas falam: “Felicidade não existe. O mundo é triste mesmo, só tem mentira, corrupção e violência!”

Falam isso porque não conhecem aquele outro mundo que Adão e Eva perderam e que Jesus recuperou para nós. É um mundo mais bonito, e possível de ser construído, porque está presente nas Comunidades cristãs. Basta acreditar no sonho e fazê-lo virar realidade. “A fé é a demonstração de realidades que não se vêem” (Hb 11,1).

Precisamos, como Jesus, ir atrás das pessoas que estão mergulhadas no pecado, e convidá-las para esse novo mundo.

A mãe não exclui nenhum filho, e se preocupa mais com os que afastados, rebeldes e problemáticos. Que ela nos ajude a imitar o seu Filho.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A LEPRA DESAPARECEU E O HOMEM FICOU CURADO.

Mc 1,40-45
Este Evangelho narra a cena da cura de um leproso. Ele “chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: ‘Se queres, tens o poder de curar-me’”. A fé é condição para recebermos as graças de Deus.

“Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: ‘Eu quero: fica curado!’” O sentido literal da palavra compaixão é “sofrer junto”. Ela leva a pessoa a sofrer o mesmo que o outro está sofrendo. Só isso já é um alívio para o outro, porque sente que há alguém unido com ele naquela dor. Daí para frente, os dois juntos, com os recursos que têm, procuram sair do problema. É bem mais fácil lutarmos contra uma dificuldade, quando há alguém ao nosso lado, lutando junto. E mais: “Onde dois ou mais estiverem unidos em meu nome” – disse Jesus – “eu estou no meio deles” (Mt 18-20).

A lepra naquele tempo era considerada uma doença contagiosa. O leproso devia afastar-se das pessoas e viver sozinho, em um lugar isolado. Se alguém tocasse nele, ficava também impuro, tendo de ir morar junto com ele lá no deserto (Lv 5,5-6). Jesus amou tanto aquele doente, que enfrentou todo esse rigor da lei. Foi como se ele dissesse ao leproso: a sua dor é a minha dor; o seu problema é o meu problema.

“Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos.” Houve portanto uma troca de posições: o homem saiu do deserto e Jesus foi para o lugar dele. A compaixão muitas vezes leva a isso.

“Por toda parte, Jesus andou fazendo o bem” (At 10,38).

O cristão verdadeiro sente compaixão das pessoas que sofrem, e se une com elas, sem medo de “se sujar” ou de as coisas complicarem para si mesmo. Isso é solidariedade, a qual nasce da nossa compaixão.

Ele nunca fica neutro, mas assume o lado da verdade, da vida e dos mandamentos de Deus. Por isso que os cristãos facilmente “se queimam” ou “se estrepam”.

“Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moises ordenou, como prova para eles!” A prova é dupla: de que o homem está curado, portanto pode voltar ao convívio normal da sociedade; e de que foi Jesus que o curou, isto é, reintegrou na sociedade uma pessoa que os próprios sacerdotes haviam excluído. Aqueles sacerdotes se preocupavam em proteger o resto da sociedade, mas não se preocupavam em reintegrar nela os pobres doentes ou pecadores que haviam sido excluídos.

A nossa sociedade atual é parecida. Ela cria uma série de medidas para se proteger, por exemplo, contra a AIDS, mas não enfrenta a raiz do problema, que é o liberalismo total no uso do sexo. Ela cria FEBEM para se proteger contra o menor infrator, mas pouco se preocupa em recuperá-los e reintegrá-los na sociedade.

Hoje, há milhões de pessoas marginalizadas: pela fome, pela pobreza, pelo analfabetismo, pelo desemprego, pelas doenças... Cabe-nos uma pergunta: o que a nossa Comunidade está fazendo por eles? Nós nos preocupamos mais em colocar seguranças na porta da igreja, ou em recuperar essas pessoas? Colocar segurança na porta da igreja é uma atitude egoísta que só pensa no nosso lado, em nos proteger. Ela é válida, mas recuperar os marginalizados é muito mais importante e mais cristão.

“Não contes nada disso a ninguém!” Isso porque Jesus estava interessado em projetar não a si mesmo, mas a Comunidade cristã que ele estava criando. Ela, a Igreja, é a força de Deus no meio do povo. As pessoas sempre procuram alguém para se apoiar; Jesus quer o contrário: que a Comunidade cristã se apóie em si mesma, na sua união, com Deus no meio. Reino de Deus é povo unido, organizado e fiel a Deus.

“Ele foi e começou a contar.” A própria vida do ex-leproso já era por si um testemunho em favor de Jesus. É impossível esconder a luz. Evangelizar é falar bem de Jesus e de sua Igreja. Contar, espalhar os benefícios que eles nos fazem

Deus nem sempre nos cura e nos livra de todas as doenças. Ninguém fica eternamente na terra. Mas, se tivermos fé, Deus nos ajuda e transforma em bem as próprias doenças que sofremos.
Para os antigos, certas doenças, como a lepra, eram sinal de pecado; por isso os doentes eram desprezados. Jesus foi contra esse preconceito, ficava no meio dos doentes, tocava neles, amava-os e os curava.

Havia, certa vez, uma menina de uns oito aninhos, que se chamava Margarida. Quando chegou o dia do seu aniversário, ele levantou-se ansiosa. Mas ninguém falou nada!

De repente, na hora do café, a mãe veio com um presente. A Margarida abriu a caixa, era um par de sapatos muito bonito. Ela experimentou, serviu certinho.

Então pediu para a mãe: “Posso ir para a escola com esses sapatos?” “Sim”, respondeu a mãe.
Na escola, logo que as colegas viram, ficaram encantadas com os sapatos dela. A Margarida contou: “É porque hoje é o meu aniversário!” Todos a abraçaram.

De repente, a Margarida ficou triste: viu uma menina descalça! Coitada! Ela pode pisar em prego, em poça d’água, pegar doenças... E perguntou a garota: “Por que você está descalça?” Ela disse: “É porque eu não tenho sapatos. Sou pobre”. Margarida ficou triste.

Chegando em casa, ela pediu para a mãe: “Posso levar meus outros sapatos para uma colega da escola?” A mãe respondeu: “Sim, mas antes o limpe e engraxe”.

No dia seguinte, antes da aula, chamou a colega de lado e deu os sapatos. Ela experimentou, serviu certinho. Que bom! Agora a Margarida ficou contente.

Na hora do recreio, cada criança comia o lanche que trazia de casa. A Margarida percebeu que aquela menina não havia levado lanche. Dividiu com ela o seu lanche.

No outro dia cedo, antes de ir para a escola, ela pensou: vou levar dois lanches, um para mim e outro para aquela garota. Como a mãe tinha ido ao supermercado, ela mesma pegou dois pães, cortou-os no meio, foi até o fogão, destampou a panela e pôs a carne nos dois pães. Quando voltou da escola, às 11:30, contou para a mãe.

Mas a mãe falou: “Ah! Foi você? Eu pensei que tinha sido o gato e comeu a carne. Dei uma surra nele!”

A Margarida foi lá no fundo do quintal, encontrou o gato deitadinho e triste, e fez carinho nele.
Minutos depois, chegou o pai para almoçar. A Margarida estava no quarto e escutou a conversa. A mãe lhe disse: “Hoje eu ia fazer sopa; mas a Margarida pegou toda a carne da panela. Isso porque, além do lanche dela, fez outro para aquela tal colega a quem deu os sapatos”.

O pai gritou: “Margarida, vem cá!” É hoje que vou apanhar, pensou a Margarida. Abaixou a cabeça e foi. Quando chegou perto do pai, ele disse:

“Você fez uma coisa muito boa. De hoje em diante, todos os dias você vai levar para a escola dois lanches: um para você e outro para essa menina.” Em seguida, levantou a Margarida, abraçou-a e a beijou.

Que pena que existem tão poucas pessoas como a Margarida! Ou melhor, como Margarida e Jesus! Se houvesse mais, certamente o mundo seria bem mais feliz!

Que Maria Santíssima nos ajude a vivermos o “novo mandamento” do seu Filho: “Amai-vos uns aos outros!”

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CUROU MUITAS PESSOAS DE DIVERSAS DOENÇAS.

Mc 1,29-39
Jesus só fazia o bem. A sua alegria consistia em fazer o bem às pessoas. Neste dia, o primeiro bem que ele fez, após a oração na sinagoga, foi curar a sogra de Pedro. “Então a febre desapareceu, e ela começou a servi-los”. Afinal, a casa estava cheia, porque, além de Jesus, estavam hospedados nela os Apóstolos que não tinham família em Cafarnaúm.
Aquela senhora, que convivia com Jesus bem de perto, pois ele frequentemente ficava hospedado lá, havia aprendido com Jesus esta virtude do acolhimento. Certamente, lá da cama, ela sentia um grande desejo de sarar e poder preparar a comida e as camas para os queridos hóspedes.

“À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes... A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças.” Descubra a felicidade de servir. Quem gosta de servir, faz aquilo que pode pelos outros. Jesus podia curar, curava. Diversas vezes, ele nos pediu: “Curai os doentes”.

“De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.” O seu amor maior mesmo é a Deus Pai. É este amor que o impulsionava a amar o próximo. Como é importante nós não nos deixarmos levar pelo ativismo, e dar umas fugidas para nos encontrarmos com Deus!

“Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: ‘Todos estão te procurando!’” Como quem diz: Ontem o senhor conquistou o povo; agora, que está na hora de colher os frutos, o senhor foge?

“Jesus respondeu: ‘Vamos a outros lugares’”. O líder dá a mão, ajuda a pessoa a se levantar, mas quer que ela depois caminhe com as próprias pernas, e não fique dependendo daquele que a ajudou, ou batendo palmas para ele. Afinal, somos todos iguais. Deus é que faz as curas e dá as graças. O grande modelo na cena, além de Jesus, é a sogra de Pedro que, logo após ser curada, se pôs a servi-los.

Jesus era um mestre religioso diferente dos outros mestres da época. Estes fundavam escolas para ensinar a interpretar a Sagrada Escritura. Jesus era itinerante, queria que seus discípulos vivenciassem a Sagrada Escritura, e passassem essa vivência para frente. Esse método continua até hoje, na Santa Igreja.

Nós queremos ser “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que os nossos povos tenham vida nele” (Documento de Aparecida). Somos chamados a levar a Boa Nova de Jesus até os confins da terra. A Comunidade cristã não é um grupo de pessoas em torno de um líder, mas são pessoas unidas em torno de Cristo, e organizadas entre si para a construção do Reino de Deus.

Certa vez, um padre foi almoçar na casa de uma família. Chegou um pouco antes, bateram um papo, depois sentaram-se à mesa para o almoço.

Durante a refeição, o padre percebeu que o papagaio estava com o bico amarrado com uma tira de pano. Perguntou: “Por que o papagaio está com o bico amarrado?”

A mulher ficou morrendo de vergonha, e respondeu: “É porque ele fala muitos palavrões. Então, como nós convidamos o senhor para almoçar aqui, resolvemos amarrar o bico dele”.

Ficou pior! O concerto ficou pior que o soneto. O coitado do papagaio não tinha culpa nenhuma de falar palavrões. Ele simplesmente repetia aquilo que ouvia naquela casa. Era a família que não dava o bom exemplo de cristã, falando palavrões!

Como é que um membro dessa família poderia sair por aí falando bonito de Jesus Cristo, se em casa falava o contrário! O povo chama quem fala palavrão de “boca suja”, e quem fala mal dos outros de “lingüinha afiada”.

Vamos ser como Jesus, que fazia o bem por palavras e por atos.

Maria Santíssima, Nossa Senhora da conceição passou a vida servindo: dona de casa, esposa, mãe... Que ela nos ajude a aprender a seguir o exemplo do seu Filho.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

VINDE E VEDE

4 DE JANEIRO DE 2012

João, o Evangelista, narra uma das mais íntimas e sagradas recordações de sua vida em busca de Jesus. Batista, novamente, como já no dia anterior, indicou Jesus como “o Cordeiro de Deus”. A expressão o fez refletir e, espontaneamente,, foi atrás de Jesus com André,: “Rabi, ode moras?” E Jesus disse: “Vinde e Vede!” Sentimos que atrás dessas palavras, está um convite de grande importância. São mais ou menos 4 horas da tarde, recorda João com precisão, e os dois acompanham o Mestre, conversando com Ele até altas horas da noite. No dia seguinte, levam outros dois: João leva seu irmão Tiago; e André, seu irmão Pedro.
Qual deve ter sido a conversa de Jesus com seus futuros apóstolos? João guarda um sagrado silêncio, ao passo que conta em pormenores o encontro de Cristo com Nicodemos, com a Samaritana, ou a despedida de Jesus na ceia.
“Vinde e Vede!” – é o convite tantas vezes repetido por Cristo aos seus eleitos. Quantas vezes também nós fomos convidados, mas não aproveitamos a oportunidade. Uns dias de retiro, um encontro de maior intensidade, uma hora de adoração, uma leitura mais profunda, são todos convites dispensados, pois temos tantas coisas a fazer tantos compromissos não temos tempo! Sem esse encontro provavelmente não haveria um Pedro para dirigir a Igreja, nem um João ara nos transmitir o amor de Jesus.
“Vinde e Vede!” Por que não atendemos ao convite de Jesus? Por medo de que nos convide para assumir uma maior responsabilidade dentro de nossa comunidade? Medo de que nos diga talvez alguma coisa que nos assuste?
Por que recusamos contemplar seu olhar? Por que corremos como se não o tivéssemos ouvido ou fazemos tanto barulho que abafamos sua voz?
Você, talvez, ainda se lembra de que, um dia, fez uma descoberta e disse que tinha encontrado Jesus, como João e André. A questão é que eles voltaram para Jesus, e você não voltou. Passou o tempo nos retiros, nos encontros religiosos, na oração, na missa e apagou-se a lembrança daquele que você disse ter encontrado Deus. Você voltou a ser como antes, talvez com um pouco de saudade daqueles momentos, daquelas horas, mas sem coragem de dizer “sim”.
“Vinde e Vede!” O convite soou, mas não teve resposta. Que pena. Pois, atrás disso, muita coisa que pedia ter sido feita nem teve início.
Imaginem se Maria tivesse dito “não” ao anjo Gabriel!
Houve uma frase muito em voga nos tempos passados: “Cristo conta com você!” Será que pode contar com você mesmo? Ou você está ocupado demais?
“Vinde e Vede!”