Mt 1,1-11
Hoje iniciamos a preparação próxima para o Natal, e a liturgia se volta para o protagonista principal da festa: Jesus Cristo. O Evangelho nos apresenta a árvore genealógica de Jesus, como descendente de Davi.
Nós ficamos edificados com a misericórdia de Deus, ao vermos que faz parte dessa genealogia quatro mulheres que antes levavam uma vida de pecado:
- Tamar que, através de trapaças, teve um filho do seu próprio sogro Judá (Gn 38).
- Raab, de Jericó, era prostituta (Js 2).
- Rute não era judia, mas moabita (Rt 4).
- Betsabéia adulterou-se com Davi (2Sm 11).
Como Deus é misericordioso conosco! E como ele é aberto a todos e todas que têm bom coração!
Jesus, Deus encarnado, foi assim em toda a sua vida. Ele amar os pecadores e tirá-los lama.
Jesus Cristo, o Filho de Deus, converte-se no novo molde do ser humano, já que o homem quebrou seu molde original, dado pelo criador.
Vemos claramente que o mistério do homem só se esclarece no mistério do Novo Homem, enviado pelo Pai, Jesus Cristo. “Cristo veio revelar ao homem o mistério do próprio homem” (GS 22).
Ao nos prepararmos para celebrar a Encarnação de Cristo, nós nos alegramos, pois Deus se tornou homem para que o homem fosse elevado à filiação divina.
Esse duplo movimento, para baixo e para cima, é a base do nosso trabalho pastoral e missionário. Queremos descer ao homem pecador, nós que também o somos, para juntos subirmos ao Céu. Lá, queremos dar um abraço em Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
E esse duplo movimento teve seu ponto de apoio na maternidade divina de Maria. Ela é a ponte que une o Céu e a terra. No seio de Maria operou-se o ato mais surpreendente da história: o encontro pessoal de Deus com o homem.
Faltam apenas sete dias para o Natal. Por isso, a Igreja começa hoje uma preparação mais intensa, centralizada na pessoa de Jesus. Nós temos para cada um desses sete dias uma antífona especial, chamadas de “Antífonas do Ó”, que deram origem ao nome do bairro Freguesia do Ó, em S. Paulo. Elas estão na Liturgia das Horas, no Magnificat. Foram compostas no séc. VII. Destacam as várias qualidade de Jesus, Deus encarnado, e expressam o desejo de salvação de toda a humanidade. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do advento e do Natal. Elas expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, através da interjeição “Ó”. Nelas estão as três dimensões da festa do Natal: 1) A celebração do nascimento de Jesus em Belém. 2) O esforço para que este seu nascimento se atualize hoje. 3) A segunda vinda de Cristo. Todas as antífonas são súplicas a Cristo, a cada dia invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento, mas entendido à luz do Novo.
A antífona de hoje é: Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo, e atingis até os confins de todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro: oh vinde ensinar-nos o caminho da prudência!
Nós temos também um canto muito antigo do advento, que resume a genealogia de Jesus de forma bonita e criativa: “De Jessé nasceu a vara, da vara nasceu a flor; e da flor nasceu Maria, de Maria o Salvador.”
Havia, certa vez, um cavalo que passava o dia andando em círculos, girando uma roda d’água. Ele olhava para os outros cavalos do sítio e pensava: “Quem me dera mudar de serviço e ser como aquele colega que leva meu patrão para lá e para cá, fazendo passeios! Ou então se eu pudesse ser como aquele outro que fica andando no meio das lavouras puxando o arado. Que vida sem sentido é esta minha! Ficar aqui o dia inteiro andando em círculos sem sair do lugar!”
O patrão percebeu e lhe disse: “Meu querido cavalo, o seu trabalho é muito importante aqui no sítio. Veja a horta, o jardim, as crianças sorrindo... Tudo isso é porque você nos fornece a água! Veja também todos os outros animais do sítio... A nossa vida depende de você”.
O cristão verdadeiro se mostra na fidelidade do dia a dia, fidelidade nas coisas pequenas, ou ações simples, mesmo que repetidas durante toda a vida.
sábado, 17 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
JOÃO, A LÂMPADA QUE BRILHA
Jo 5, 33-36
A figura de João Batista chamou a atenção de multidões, sobretudo porque o povo sentiu o vazio de um culto sem expressão, de um jogo de palavras, de uma politicagem interesseira entre os que deviam ser seus líderes religiosos numa situação difícil, de opressão.
João Batista entusiasmou os homens por sua autenticidade, por sua coragem de denunciar a falsidade das autoridades. Não chamou a atenção sobre si, mas sobre alguém que ele anunciava: “Sou a voz que clama no deserto...” “No meio de vós está quem vós não conheceis!” “Não sou eu o Messias!” “Não sou digno de desatar as correias de suas sandálias...”
Eles deveriam ter atendido, aos seus apelos e iniciado uma vida nova, mas não o aceitaram.
Ainda hoje, os apelos de João têm sua atualidade. Ainda indicam o caminho que nos conduzirá a Jesus neste tempo de Advento.
João, o evangelista, logo no início do seu evangelho afirma: “Veio um homem,, enviado por Deus, cujo nome era João... ele não era a Luz, mas veio para dar testemunho da luz... Ele veio ao mundo, mas o mundo não o reconheceu...”
Cristo diz que, além do testemunho de João, há o testemunho do Pai para provar sua missão divina.
Por que então, depois de séculos, o testemunho de João ainda não é aceito? Não sei, mas creio que é porque nós, cristãos, não somos luz do mundo para anunciar a presença de Cristo entre nós. O Natal deveria marcar duas coisas em nossa vida: deveríamos nos sentir totalmente atraídos, diria, “embriagados” pela luz de Cristo, e também testemunhar essa luz ao mundo. Ser vitrais por onde passa essa claridade. Ser transparentes como cristais para que o mundo se entusiasme pela luz do Senhor. Assim como a estrela dos magos ou a luz que encantou os pastores...
Na época de Natal, há tanta iluminação nas praças, nas ruas, e tão pouca claridade nas pessoas, atraídas pelas coisas, vazias de Deus.
A figura de João Batista chamou a atenção de multidões, sobretudo porque o povo sentiu o vazio de um culto sem expressão, de um jogo de palavras, de uma politicagem interesseira entre os que deviam ser seus líderes religiosos numa situação difícil, de opressão.
João Batista entusiasmou os homens por sua autenticidade, por sua coragem de denunciar a falsidade das autoridades. Não chamou a atenção sobre si, mas sobre alguém que ele anunciava: “Sou a voz que clama no deserto...” “No meio de vós está quem vós não conheceis!” “Não sou eu o Messias!” “Não sou digno de desatar as correias de suas sandálias...”
Eles deveriam ter atendido, aos seus apelos e iniciado uma vida nova, mas não o aceitaram.
Ainda hoje, os apelos de João têm sua atualidade. Ainda indicam o caminho que nos conduzirá a Jesus neste tempo de Advento.
João, o evangelista, logo no início do seu evangelho afirma: “Veio um homem,, enviado por Deus, cujo nome era João... ele não era a Luz, mas veio para dar testemunho da luz... Ele veio ao mundo, mas o mundo não o reconheceu...”
Cristo diz que, além do testemunho de João, há o testemunho do Pai para provar sua missão divina.
Por que então, depois de séculos, o testemunho de João ainda não é aceito? Não sei, mas creio que é porque nós, cristãos, não somos luz do mundo para anunciar a presença de Cristo entre nós. O Natal deveria marcar duas coisas em nossa vida: deveríamos nos sentir totalmente atraídos, diria, “embriagados” pela luz de Cristo, e também testemunhar essa luz ao mundo. Ser vitrais por onde passa essa claridade. Ser transparentes como cristais para que o mundo se entusiasme pela luz do Senhor. Assim como a estrela dos magos ou a luz que encantou os pastores...
Na época de Natal, há tanta iluminação nas praças, nas ruas, e tão pouca claridade nas pessoas, atraídas pelas coisas, vazias de Deus.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O QUE FOSTES VER?
Lc 7,24-30
A aparição de João Batista teve, em sua época, uma enorme repercussão, de tal forma que, anos depois, ainda se falava dele e encontravam-se pessoas que foram batizadas no Jordão.
As primeiras comunidades cristãs tinham uma veneração especial por ele, e os evangelistas até falam mais de João do que da própria Nossa Senhora. Os primeiros templos lhes foram dedicados. Por que? Porque o povo tem um sexto sentido para descobrir a veracidade da pessoa. Quem não se lembra das aglomeracões em torno do Santo Padre? O povo está mais do que farto de mistificação enganosa, de palavras vazias, de promessas que jamais se cumprem, de discursos elogiosos, sem autenticidade.
João Batista nada tinha de atrativo; nem sua figura austera, esquelética, nem seu vestuário, nem fluência retórica, nem as maneiras corteses de proceder. Como último dos profetas do Antigo Testamento, concentrou em si toda a veemência dos antecessores.
As autoridades tremem sob a sua palavra. Ele não hesita em recusar s “grandalhões” em seu auditório. Esta audácia, porém, custou-lhe a prisão e, por fim, a morte.
Qual a atração de João Batista? Comparem sua pessoa com as dos ídolos modernos: cantores e cantoras, estrelas que sobem e descem à média que têm uma aparência mais ou menos atraente. O que se vê? Gritaria histérica, desmaios etc. Então eu pergunto outra vez: qual o atrativo de João Batista?
Os ídolos de hoje apontam-nos um caminho para o nosso futuro?
Mas, de João, Deus diz: “Eis que eu mando à tua frente para preparar o teu caminho...”
Por que tanta gente deixa-se iludir por falos ídolos?
Até Jesus Cristo afirmou a respeito de João: “Não há nenhum maior do que João”.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
IDE CONTAR A JOÃO O QUE VISTES E OUVISTES
Lc 7,19-23
O Evangelho de hoje tem duas partes. Na primeira, João Batista manda dois de seus discípulos perguntar a Jesus se é ele o Messias. E na segunda, Jesus responde de maneira prática, fazendo as ações que, segundo o profeta Isaías, eram próprias do Messias.
João mandou perguntar, não porque ele estivesse em dúvida, e sim para confirmar a fé dos seus discípulos, já que em breve ele iria morrer.
Antes de responder, e na presença dos emissários de João, Jesus curou muitos enfermos e deu vista a muitos cegos. Depois disse aos emissários: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes”.
Jesus tomou essa atitude porque sabia que João Batista conhecia o livro do profeta Isaías, e lá (Is 35,5-6; Is 61,1-2) está escrito que estas ações que Jesus fez são identificadoras do Messias. Foi uma resposta do jeito que Jesus gosta: mostrou com obras e não apenas com palavras.
Seria como hoje um grupinho de pessoas chegar a nossa casa e disser: “O nosso chefe nos mandou perguntar qual é a religião de vocês”. E nós, em vez de responder, pedirmos a eles que fiquem na nossa casa durante aquele dia. Verão que a família é unida; que existe espírito de oração e rezam o terço; que são preocupados com os necessitados; que existem nas paredes da casa o crucifixo, quadros e imagens de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos... No fim, nós diríamos a eles: “Podem ir e contar ao seu chefe o que vocês viram e ouviram”. Diante disso, não há dúvida que a família é católica.
Jesus gosta desse jeito de mostrarmos quem somos: pela nossa vida. Se fé fosse apenas saber e acreditar, o demônio seria campeão de fé, pois sabe tudo e acredita. A diferença é que ele não vive o que sabe.
No caso de Jesus, havia outra prova clara de sua messianidade: os seus milagres.
Com Jesus está inaugurado o Reino de Deus, onde os cegos recuperam a vista, os aleijados andam, os famintos são bem alimentados, os pobres são amados e a Boa Nova é anunciada aos pobres. Quer dizer, ninguém fica marginalizado, inclusive do ponto de vista religioso do ponto de vista religioso.
“E feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim.” Jesus está dizendo que é feliz aquele que acredita que as características do Messias são estas que Jesus apresenta, e não aquelas que o povo judeu esperava: um rei triunfalista e cheio de poder temporal. Escandalizar é não acreditar e negar que Jesus é o Messias, pela fato de se apresentar como o “Servo sofredor”.
Na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16ss), Jesus disse quase a mesma coisa. Nas duas cenas percebe-se que Jesus não se atém a atos estritamente religiosos, como muitos querem ver a religião. Ele misturava o socorro humano e o divino, pois o homem é uma unidade: corpo e alma. Não separe o homem o que Deus uniu. Esse foi também o “escândalo” que Jesus deu. O “escândalo” de afirmar que Deus ama o homem todo e não apenas a alma.
Todos os cristãos que se preocupam com os marginalizados e fazem algo por eles, dão o autêntico testemunho de Jesus. Estes cristãos celebram verdadeiramente o advento.
Certa vez, dois irmãozinhos, um menino e uma menina, estavam conversando na varanda da casa. O pai, que fora tirar uma soneca depois do almoço, estava acordado, e ouvia a conversa.
A menina dizia: “Quando eu crescer, vou ser como a mamãe: serei leitora na hora da Missa”. O menino falou: “Eu não; quando ficar grande, vou ser como papai: nem à Missa eu irei mais”.
Depois de ouvir a conversa, o pai não conseguia mais dormir. Virava para cá, virava para lá, nada. Daí para frente, ele mudou de vida e se tornou um católico praticante.
Que bom se neste advento os pais refletissem sobre o tipo de exemplo que dão aos filhos! E também os filhos refletissem que tipo de exemplo estão dando na família, na escola etc.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
JOÃO VEIO, E OS PECADORES CRERAM NELE
Mt 21,28-32
Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos dois filhos. O pai pede ao primeiro para ir trabalhar na vinha, ele fala que não quer, mas depois muda de opinião e vai. O pai faz o mesmo pedido ao segundo, este fala que vai, mas não vai.
Jesus explica a comparação: os publicanos e as prostitutas eram pessoas que levavam vida errada, isto é, inicialmente disseram “não” ao Pai que é Deus. Mas depois se arrependeram e acreditaram na pregação de João Batista e de Jesus.
Já os sumos sacerdotes e os anciãos, que respondiam “sim” a Deus no Antigo Testamento, agora respondem “não” ao mesmo Deus, no Novo Testamento. Portanto, eles agem como o segundo filho da parábola, que disse que ia trabalhar na vinha, mas não foi.
Os próprio sumos sacerdotes e anciãos se condenaram, dizendo que quem fez a vontade do pai foi o primeiro filho, que representa os publicanos e as prostitutas. Jesus conclui dizendo que os publicanos e as prostitutas os precederão no Reino de Deus.
Trazendo para nós hoje, há pessoas que no passado diziam “sim” a Deus com generosidade, e hoje são medíocres. E existem também exemplos contrários, de pessoas antes afastadas e hoje engajadas e generosas para Deus e a Comunidade. O que vale é o que a pessoa é hoje, não o que foi no passado. Os pecados do passado, Deus está pronto a nos perdoar, se depois mudamos de idéia e nos convertemos. Outro sentido é que Deus gosta mais das pessoas que cumprem com fidelidade e perseverança a sua Lei, mesmo sem prometer nada, do que daquelas que prometem muito e fazem pouco.
Mais do que palavras bonitas, o que agrada a Deus são as ações corretas. Os fariseus gostavam de se apresentar como santos, isto é, diziam “sim” na aparência, mas “não” nas ações. Deus gosta de palavras bonitas, mas quando são acompanhadas de uma vida bonita.
Há pessoas que têm facilidade em prometer, mas depois se esquecem e não cumprem. Como aquele que disse: “Eu consigo parar de fumar; só este ano já parei três vezes!”
Existe até uma afirmação de que emprestar é sinônimo de dar, porque quem pede emprestado promete devolver mas não devolve. Deus não gosta desse tipo de gente. São atitudes indignas de cristão. Se as pessoas cumprissem o que prometem, não precisaríamos do SPC, CERASA etc.
No dia do nosso batismo, os nossos pais e padrinhos disseram “sim” a Deus em nosso lugar. E nós assumimos aqueles compromissos na primeira comunhão, e o renovamos na crisma, e todos os domingos na Missa, quando fazemos a profissão de fé. Como estamos hoje em relação aos nossos compromissos batismais?
S. Paulo disse “não” a Cristo, quando jovem. Mas depois disse “sim” e o manteve até a morte. Assemelhou-se, portanto, ao primeiro filho da parábola.
E ele compara a vida cristã com uma competição de corrida a pé. “Acaso não sabeis que todos correm, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguir uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível” (1Cor 9,24-25).
Quando Deus Pai chamou seu Filho Jesus para a missão de redimir a humanidade, ele respondeu: “Eis me aqui, ó Pai, para fazer vossa vontade!” (Hb 10,7). E depois perseverou naquele “sim”.
“Cristo humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2,8). Jesus, portanto, não se assemelhou nem ao primeiro nem ao segundo filho, pois respondeu “sim” a Deus Pai, e cumpriu esse “sim” até o fim da vida terrena, e continua cumprindo hoje.
Cada dia que amanhece é um novo presente que Deus nos dá. Quando abrimos os olhos e vemos a luz de um novo dia, cabe a nós agradecer a Deus o dom da vida e vivê-la bem hoje, porque amanhã não sabemos se estaremos vivos.
Certa vez, um casal estava viajando numa cidade grande, em direção a um bairro desconhecido. Eles iam à casa de um amigo, que os convidara para jantar.
O marido ao volante e a esposa ao lado, indicando o caminho. Em determinado momento, ela disse: “Na primeira esquina vire à direita”. Ele teimou que era à esquerda. Os dois discutiram um pouco, mas por fim ela cedeu, a fim de que não chegassem à casa do amigo mal humorados.
Resultado: depois de muito andar, tiveram de voltar àquela esquina e entrar à direita. Assim, chegaram atrasados no jantar.
Na volta, conversando sobre o incidente, ela disse: “Se você tinha certeza de que eu estava errado, por que não insistiu um pouco mais? Ela respondeu: “Entre ter razão e ser feliz, eu preferi ser feliz. Estávamos à beira de uma briga. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite”
Dizer “sim” na hora do casamento é fácil. Mas o importante é mantê-lo até o fim da vida.
O Natal se aproxima. Não queremos celebrá-lo mal humorados ou carregando algum pecado. É para isso que existe o advento.
Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos dois filhos. O pai pede ao primeiro para ir trabalhar na vinha, ele fala que não quer, mas depois muda de opinião e vai. O pai faz o mesmo pedido ao segundo, este fala que vai, mas não vai.
Jesus explica a comparação: os publicanos e as prostitutas eram pessoas que levavam vida errada, isto é, inicialmente disseram “não” ao Pai que é Deus. Mas depois se arrependeram e acreditaram na pregação de João Batista e de Jesus.
Já os sumos sacerdotes e os anciãos, que respondiam “sim” a Deus no Antigo Testamento, agora respondem “não” ao mesmo Deus, no Novo Testamento. Portanto, eles agem como o segundo filho da parábola, que disse que ia trabalhar na vinha, mas não foi.
Os próprio sumos sacerdotes e anciãos se condenaram, dizendo que quem fez a vontade do pai foi o primeiro filho, que representa os publicanos e as prostitutas. Jesus conclui dizendo que os publicanos e as prostitutas os precederão no Reino de Deus.
Trazendo para nós hoje, há pessoas que no passado diziam “sim” a Deus com generosidade, e hoje são medíocres. E existem também exemplos contrários, de pessoas antes afastadas e hoje engajadas e generosas para Deus e a Comunidade. O que vale é o que a pessoa é hoje, não o que foi no passado. Os pecados do passado, Deus está pronto a nos perdoar, se depois mudamos de idéia e nos convertemos. Outro sentido é que Deus gosta mais das pessoas que cumprem com fidelidade e perseverança a sua Lei, mesmo sem prometer nada, do que daquelas que prometem muito e fazem pouco.
Mais do que palavras bonitas, o que agrada a Deus são as ações corretas. Os fariseus gostavam de se apresentar como santos, isto é, diziam “sim” na aparência, mas “não” nas ações. Deus gosta de palavras bonitas, mas quando são acompanhadas de uma vida bonita.
Há pessoas que têm facilidade em prometer, mas depois se esquecem e não cumprem. Como aquele que disse: “Eu consigo parar de fumar; só este ano já parei três vezes!”
Existe até uma afirmação de que emprestar é sinônimo de dar, porque quem pede emprestado promete devolver mas não devolve. Deus não gosta desse tipo de gente. São atitudes indignas de cristão. Se as pessoas cumprissem o que prometem, não precisaríamos do SPC, CERASA etc.
No dia do nosso batismo, os nossos pais e padrinhos disseram “sim” a Deus em nosso lugar. E nós assumimos aqueles compromissos na primeira comunhão, e o renovamos na crisma, e todos os domingos na Missa, quando fazemos a profissão de fé. Como estamos hoje em relação aos nossos compromissos batismais?
S. Paulo disse “não” a Cristo, quando jovem. Mas depois disse “sim” e o manteve até a morte. Assemelhou-se, portanto, ao primeiro filho da parábola.
E ele compara a vida cristã com uma competição de corrida a pé. “Acaso não sabeis que todos correm, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguir uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível” (1Cor 9,24-25).
Quando Deus Pai chamou seu Filho Jesus para a missão de redimir a humanidade, ele respondeu: “Eis me aqui, ó Pai, para fazer vossa vontade!” (Hb 10,7). E depois perseverou naquele “sim”.
“Cristo humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fl 2,8). Jesus, portanto, não se assemelhou nem ao primeiro nem ao segundo filho, pois respondeu “sim” a Deus Pai, e cumpriu esse “sim” até o fim da vida terrena, e continua cumprindo hoje.
Cada dia que amanhece é um novo presente que Deus nos dá. Quando abrimos os olhos e vemos a luz de um novo dia, cabe a nós agradecer a Deus o dom da vida e vivê-la bem hoje, porque amanhã não sabemos se estaremos vivos.
Certa vez, um casal estava viajando numa cidade grande, em direção a um bairro desconhecido. Eles iam à casa de um amigo, que os convidara para jantar.
O marido ao volante e a esposa ao lado, indicando o caminho. Em determinado momento, ela disse: “Na primeira esquina vire à direita”. Ele teimou que era à esquerda. Os dois discutiram um pouco, mas por fim ela cedeu, a fim de que não chegassem à casa do amigo mal humorados.
Resultado: depois de muito andar, tiveram de voltar àquela esquina e entrar à direita. Assim, chegaram atrasados no jantar.
Na volta, conversando sobre o incidente, ela disse: “Se você tinha certeza de que eu estava errado, por que não insistiu um pouco mais? Ela respondeu: “Entre ter razão e ser feliz, eu preferi ser feliz. Estávamos à beira de uma briga. Se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite”
Dizer “sim” na hora do casamento é fácil. Mas o importante é mantê-lo até o fim da vida.
O Natal se aproxima. Não queremos celebrá-lo mal humorados ou carregando algum pecado. É para isso que existe o advento.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
DONDE VINHA O BATISMO DE JOÃO?
Mt 21,23-27
Este Evangelho começa com uma pergunta dos dirigentes judeus a Jesus: “Com que autoridade fazes estas coisas?” Eles se referiam aos dois fatos narrados logo antes no Evangelho: a expulsão dos vendilhões do Templo e a entrada triunfal dele em Jerusalém. Referiam-se também ao fato de Jesus estar ensinando no Templo.
Jesus usou de uma astúcia, e respondeu: “Também eu vou fazer uma pergunta. Se vós me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. Donde vinha o batismo de João? Do céu ou dos homens?” Eles ficaram em dificuldade, porque, se respondessem “Do céu”, Jesus podia colocá-los na parede, dizendo: “Por que então não acreditastes nele?” Se dissessem: “Dos homens”, tinham medo do povo, pois todos tinham João Batista na conta de profeta. Disseram então: “Não sabemos”. Em resposta, Jesus disse: “Eu também não vos direi com que autoridade faço estas coisas”.
Jesus usou várias outras vezes de astúcias semelhantes. Por exemplo, quando um grupo formado por fariseus e saduceus quiseram colocar Jesus em dificuldade perguntando se era ou não lícito pagar o imposto a César. Como na moeda havia a imagem de César, Jesus respondeu: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,15-21). Na parábola do administrador infiel o administrador usa também de astúcia, para sobreviver (Lc 16,1-8).
Também S. Paulo fez algo semelhante em Jerusalém, para se livrar da prisão: “Sabendo que uma parte do tribunal era composta de saduceus e a outra, fariseus, Paulo exclamou bem alto: Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos. Apenas falou isso, armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, a assembléia ficou dividiu...” (At 23,6-7) e por isso o processo de condenação de Paulo foi encerrado.
Nós precisamos usar de muita sagacidade para conseguir cumprir a nossa missão de cristãos e de construtores do Reino de Deus. Deus nos capacitou para isso, dando-nos muitos dons, talentos e carismas. E o próprio Espírito Santo, que é a inteligência em pessoa, está conosco para nos inspirar e ajudar. Temos, portanto, condições de sobra para dominar a terra, cumprindo a ordem de Deus nas primeiras páginas da Bíblia.
Aqueles sacerdotes e anciãos, que perguntaram a Jesus com que autoridade ele agia, eram encarregados de manter a fé autêntica. Mas na verdade não se preocupavam com a fé, e sim em defender seus interesses. Isso foi demonstrado pela atitude deles, provocada por Jesus. A armadilha que fizeram para Jesus virou-se contra eles.
As pregações de João Batista tinham sido o acontecimento religioso mais importante dos últimos anos. Naturalmente, os sacerdotes deviam pronunciar-se a respeito de João. Se não o faziam, tampouco tinham moral para exigir que Jesus explique com que autoridade agia.
Além do mais, João já havia testemunhado para eles a respeito de Jesus: “No meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias” (Jo 1,26-27).
O próprio Jesus foi batizado por João (Mt 3,13-17), referendando o batismo de conversão que João realizava.
Tanto João Batista como Jesus não eram “profetas de ocasião”, que falam aquilo que os grandes querem ouvir. Por isso foram recusados pelas elites.
Havia, certa vez, um jardineiro que trabalhava como diarista em várias residências de um bairro classe alta, cuidando dos jardins das residências.
Um dia, um especialista em marketing de uma grande empresa contratou esse jardineiro para cuidar do jardim de sua casa.
Quando o jardineiro terminou o serviço, pediu ao executivo a permissão para utilizar o telefone, o que foi prontamente permitido. Contudo, o executivo não pôde deixar de ouvir a conversa. O rapaz havia ligado para uma senhora, com a qual teve o seguinte dialogo:
- A senhora está precisando de um jardineiro?
- Não. Eu já tenho um.
- Mas, além de aparar, eu também tiro o lixo.
- Isso o meu jardineiro também faz.
- Eu limpo e lubrifico todas as ferramentas no final do serviço.
- Mas o meu jardineiro também o faz.
- Eu faço a programação de atendimento o mais rápido possível.
- Não, o meu jardineiro também me atende prontamente.
- O meu preço é um dos melhores.
- Não, muito obrigada! O preço do meu jardineiro também é muito bom.
Assim que o moço desligou o telefone, o executivo lhe disse: “Meu rapaz, você perdeu um cliente”. Ele respondeu: “Não. Eu sou o jardineiro dela. Eu apenas estava medindo o quanto ela estava satisfeita”.
No advento, nós celebramos a espera do nascimento de Jesus. É uma espera ativa, isto é, não o esperamos de braços cruzados. Quando vamos receber uma visita, costumamos preparar a nossa casa. Vamos aproveitar estes poucos dias que faltam para nos preparar, e nos preparar bem.
Este Evangelho começa com uma pergunta dos dirigentes judeus a Jesus: “Com que autoridade fazes estas coisas?” Eles se referiam aos dois fatos narrados logo antes no Evangelho: a expulsão dos vendilhões do Templo e a entrada triunfal dele em Jerusalém. Referiam-se também ao fato de Jesus estar ensinando no Templo.
Jesus usou de uma astúcia, e respondeu: “Também eu vou fazer uma pergunta. Se vós me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. Donde vinha o batismo de João? Do céu ou dos homens?” Eles ficaram em dificuldade, porque, se respondessem “Do céu”, Jesus podia colocá-los na parede, dizendo: “Por que então não acreditastes nele?” Se dissessem: “Dos homens”, tinham medo do povo, pois todos tinham João Batista na conta de profeta. Disseram então: “Não sabemos”. Em resposta, Jesus disse: “Eu também não vos direi com que autoridade faço estas coisas”.
Jesus usou várias outras vezes de astúcias semelhantes. Por exemplo, quando um grupo formado por fariseus e saduceus quiseram colocar Jesus em dificuldade perguntando se era ou não lícito pagar o imposto a César. Como na moeda havia a imagem de César, Jesus respondeu: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,15-21). Na parábola do administrador infiel o administrador usa também de astúcia, para sobreviver (Lc 16,1-8).
Também S. Paulo fez algo semelhante em Jerusalém, para se livrar da prisão: “Sabendo que uma parte do tribunal era composta de saduceus e a outra, fariseus, Paulo exclamou bem alto: Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos. Apenas falou isso, armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, a assembléia ficou dividiu...” (At 23,6-7) e por isso o processo de condenação de Paulo foi encerrado.
Nós precisamos usar de muita sagacidade para conseguir cumprir a nossa missão de cristãos e de construtores do Reino de Deus. Deus nos capacitou para isso, dando-nos muitos dons, talentos e carismas. E o próprio Espírito Santo, que é a inteligência em pessoa, está conosco para nos inspirar e ajudar. Temos, portanto, condições de sobra para dominar a terra, cumprindo a ordem de Deus nas primeiras páginas da Bíblia.
Aqueles sacerdotes e anciãos, que perguntaram a Jesus com que autoridade ele agia, eram encarregados de manter a fé autêntica. Mas na verdade não se preocupavam com a fé, e sim em defender seus interesses. Isso foi demonstrado pela atitude deles, provocada por Jesus. A armadilha que fizeram para Jesus virou-se contra eles.
As pregações de João Batista tinham sido o acontecimento religioso mais importante dos últimos anos. Naturalmente, os sacerdotes deviam pronunciar-se a respeito de João. Se não o faziam, tampouco tinham moral para exigir que Jesus explique com que autoridade agia.
Além do mais, João já havia testemunhado para eles a respeito de Jesus: “No meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias” (Jo 1,26-27).
O próprio Jesus foi batizado por João (Mt 3,13-17), referendando o batismo de conversão que João realizava.
Tanto João Batista como Jesus não eram “profetas de ocasião”, que falam aquilo que os grandes querem ouvir. Por isso foram recusados pelas elites.
Havia, certa vez, um jardineiro que trabalhava como diarista em várias residências de um bairro classe alta, cuidando dos jardins das residências.
Um dia, um especialista em marketing de uma grande empresa contratou esse jardineiro para cuidar do jardim de sua casa.
Quando o jardineiro terminou o serviço, pediu ao executivo a permissão para utilizar o telefone, o que foi prontamente permitido. Contudo, o executivo não pôde deixar de ouvir a conversa. O rapaz havia ligado para uma senhora, com a qual teve o seguinte dialogo:
- A senhora está precisando de um jardineiro?
- Não. Eu já tenho um.
- Mas, além de aparar, eu também tiro o lixo.
- Isso o meu jardineiro também faz.
- Eu limpo e lubrifico todas as ferramentas no final do serviço.
- Mas o meu jardineiro também o faz.
- Eu faço a programação de atendimento o mais rápido possível.
- Não, o meu jardineiro também me atende prontamente.
- O meu preço é um dos melhores.
- Não, muito obrigada! O preço do meu jardineiro também é muito bom.
Assim que o moço desligou o telefone, o executivo lhe disse: “Meu rapaz, você perdeu um cliente”. Ele respondeu: “Não. Eu sou o jardineiro dela. Eu apenas estava medindo o quanto ela estava satisfeita”.
No advento, nós celebramos a espera do nascimento de Jesus. É uma espera ativa, isto é, não o esperamos de braços cruzados. Quando vamos receber uma visita, costumamos preparar a nossa casa. Vamos aproveitar estes poucos dias que faltam para nos preparar, e nos preparar bem.
domingo, 11 de dezembro de 2011
aplainai na solidão o caminho para nosso Deus
1 – Entrar na solidão para encontrar Deus
A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres que entraram na solidão para encontrar-se com Deus. Fizeram uma peregrinação pessoal em sua própria existência. A história da espiritualidade, em todas as religiões, têm exemplos de homens e mulheres que entraram na solidão para encontrar-se com Deus. São homens e mulheres que ensinam e comprovam com suas vida que o encontro com Deus, aquele encontro transformador, não acontece no barulho, mas no deserto, na solidão. É o acolhimento do convite que ouvimos de Isaías, na 1ª leitura: “aplainai na solidão o caminho para nosso Deus”. Todos esses grandes eventos religiosos que ouvimos falar ou participamos são anúncio, convite para entrar na solidão, para fazer a experiência do deserto, onde cada um constrói o seu caminho, aplaina as montanhas, endireita as curvas, abaixa outeiros da própria existência... É na solidão que participamos profundamente do encontro com Deus. Está aqui uma das maiores dificuldades de nosso tempo para motivar as pessoas a buscar Deus e a entrar no caminho de Deus.
2 – Deus está na invisibilidade do cotidiano
Outro elemento que dificulta muito entrar no caminho para se encontrar com Deus é a “invisibilidade” do relacionamento com Deus. Deus escolheu entrar em contato conosco no cotidiano de nossas vidas. E falar de cotidiano é entender a simplicidade da rotina, que dia após dia, repete os mesmos fatos e, tantas vezes, os mesmos problemas, os mesmos trabalhos, as mesmas lutas. São Pedro chama nossa atenção para esse fato, na 2ª leitura, explicando que não podemos ir ao encontro de Deus com cálculos matemáticos porque o tempo não existe para Deus. Por isso, não aceitamos previsões de fim de mundo. Por isso, insistimos tanto em peregrinar para o silêncio, para a solidão do deserto, onde cada um de nós, homens e mulheres, entramos em contato com nossas vidas pessoais, avaliamos nosso modo de viver, nosso modo de falar, nosso modo de agir. Não é Deus que se esconde em algum canto da vida, é nosso modo de viver que não nos conduz ao encontro de Deus. Por isso, é preciso parar, dar um tempo, avaliar e peregrinar para o silêncio interior, onde Deus vem ao nosso encontro com a paz e a serenidade. O encontro com Deus não é tão visível como gostaríamos e nem é novidadeiro, porque acontece na realidade do cotidiano, que é rotineiro.
3 – O caminho do cotidiano pode conduzir a Deus
A realidade do cotidiano é o caminho por onde caminhamos, onde colocamos os passos de nossas vidas. É na realidade cotidiana que se propõe o caminho da conversão pessoal, o caminho que conduz à uma nova terra, onde a glória divina habita e a fidelidade ao projeto divino é realidade. Como caminhamos na realidade de nossa vida cotidiana? Esse tempo de fim de ano, em que muitos podem descansar, é tempo de rever a estrada, de como caminhamos, do quanto progredimos espiritualmente na vida. É momento para avaliar se caminhamos sozinhos, se nosso caminho é feito de brigas e raivas, se nosso caminho não conduz a lugar algum. Quantos de nós alimentam suas vidas em sonhos que nunca acordam? Quantos se consideram perdidos na vida porque perderam a meta e por isso caminham em estradas com montanhas, vales, buracos, ribanceiras... caminham no risco de cair, de se afundar. Hoje, o convite é claro: preparem um caminho novo, que seja plano, reto, que tenha uma meta: encontrar-se com Deus, onde você encontrará a paz e a serenidade para sua vida.
4 – A dificuldade de entrar no deserto
Mas, existe uma dificuldade, como já mencionei acima. A dificuldade de entrar no deserto, de confrontar-se com o silêncio e com a solidão. Muitos de nós temos medo do silêncio, porque o silêncio nos conduz por uma estrada que nos faz olhar para nós mesmos. O silêncio nos conduz por caminhos que nos ajudam a perceber se caminhamos sem um destino, sem uma meta. E isso não é tão simples e nem fácil aceitar. Não é fácil a gente aceitar que entrou em caminho equivocado, as vezes caminhos errados, outras vezes caminhos de pecado. Esses são caminhos com vales, com montanhas que precisam ser aterrados para que o encontro com o Senhor aconteça. Aqui entendemos que a conversão não é uma questão, apenas, de vontade, mas é uma decisão de mudar o caminho, mudar o modo de viver. Sair de caminhos que não nos levam a lugar algum para caminhar nos caminhos de Deus, nos caminhos do Evangelho. Nesse tempo de proximidade do Natal e do Ano Novo é importante rever por quais caminhos conduzimos nossas vidas. Concluo repetindo o conselho de São Pedro, no final da 2ª leitura: “caríssimos, vivendo na esperança, esforçai-vos para que Deus vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz”. Amém!
A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres que entraram na solidão para encontrar-se com Deus. Fizeram uma peregrinação pessoal em sua própria existência. A história da espiritualidade, em todas as religiões, têm exemplos de homens e mulheres que entraram na solidão para encontrar-se com Deus. São homens e mulheres que ensinam e comprovam com suas vida que o encontro com Deus, aquele encontro transformador, não acontece no barulho, mas no deserto, na solidão. É o acolhimento do convite que ouvimos de Isaías, na 1ª leitura: “aplainai na solidão o caminho para nosso Deus”. Todos esses grandes eventos religiosos que ouvimos falar ou participamos são anúncio, convite para entrar na solidão, para fazer a experiência do deserto, onde cada um constrói o seu caminho, aplaina as montanhas, endireita as curvas, abaixa outeiros da própria existência... É na solidão que participamos profundamente do encontro com Deus. Está aqui uma das maiores dificuldades de nosso tempo para motivar as pessoas a buscar Deus e a entrar no caminho de Deus.
2 – Deus está na invisibilidade do cotidiano
Outro elemento que dificulta muito entrar no caminho para se encontrar com Deus é a “invisibilidade” do relacionamento com Deus. Deus escolheu entrar em contato conosco no cotidiano de nossas vidas. E falar de cotidiano é entender a simplicidade da rotina, que dia após dia, repete os mesmos fatos e, tantas vezes, os mesmos problemas, os mesmos trabalhos, as mesmas lutas. São Pedro chama nossa atenção para esse fato, na 2ª leitura, explicando que não podemos ir ao encontro de Deus com cálculos matemáticos porque o tempo não existe para Deus. Por isso, não aceitamos previsões de fim de mundo. Por isso, insistimos tanto em peregrinar para o silêncio, para a solidão do deserto, onde cada um de nós, homens e mulheres, entramos em contato com nossas vidas pessoais, avaliamos nosso modo de viver, nosso modo de falar, nosso modo de agir. Não é Deus que se esconde em algum canto da vida, é nosso modo de viver que não nos conduz ao encontro de Deus. Por isso, é preciso parar, dar um tempo, avaliar e peregrinar para o silêncio interior, onde Deus vem ao nosso encontro com a paz e a serenidade. O encontro com Deus não é tão visível como gostaríamos e nem é novidadeiro, porque acontece na realidade do cotidiano, que é rotineiro.
3 – O caminho do cotidiano pode conduzir a Deus
A realidade do cotidiano é o caminho por onde caminhamos, onde colocamos os passos de nossas vidas. É na realidade cotidiana que se propõe o caminho da conversão pessoal, o caminho que conduz à uma nova terra, onde a glória divina habita e a fidelidade ao projeto divino é realidade. Como caminhamos na realidade de nossa vida cotidiana? Esse tempo de fim de ano, em que muitos podem descansar, é tempo de rever a estrada, de como caminhamos, do quanto progredimos espiritualmente na vida. É momento para avaliar se caminhamos sozinhos, se nosso caminho é feito de brigas e raivas, se nosso caminho não conduz a lugar algum. Quantos de nós alimentam suas vidas em sonhos que nunca acordam? Quantos se consideram perdidos na vida porque perderam a meta e por isso caminham em estradas com montanhas, vales, buracos, ribanceiras... caminham no risco de cair, de se afundar. Hoje, o convite é claro: preparem um caminho novo, que seja plano, reto, que tenha uma meta: encontrar-se com Deus, onde você encontrará a paz e a serenidade para sua vida.
4 – A dificuldade de entrar no deserto
Mas, existe uma dificuldade, como já mencionei acima. A dificuldade de entrar no deserto, de confrontar-se com o silêncio e com a solidão. Muitos de nós temos medo do silêncio, porque o silêncio nos conduz por uma estrada que nos faz olhar para nós mesmos. O silêncio nos conduz por caminhos que nos ajudam a perceber se caminhamos sem um destino, sem uma meta. E isso não é tão simples e nem fácil aceitar. Não é fácil a gente aceitar que entrou em caminho equivocado, as vezes caminhos errados, outras vezes caminhos de pecado. Esses são caminhos com vales, com montanhas que precisam ser aterrados para que o encontro com o Senhor aconteça. Aqui entendemos que a conversão não é uma questão, apenas, de vontade, mas é uma decisão de mudar o caminho, mudar o modo de viver. Sair de caminhos que não nos levam a lugar algum para caminhar nos caminhos de Deus, nos caminhos do Evangelho. Nesse tempo de proximidade do Natal e do Ano Novo é importante rever por quais caminhos conduzimos nossas vidas. Concluo repetindo o conselho de São Pedro, no final da 2ª leitura: “caríssimos, vivendo na esperança, esforçai-vos para que Deus vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz”. Amém!
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